Fazer poupanças é quase impossível. A situação económica está apertada para todos. Há necessidade de trilhar à picada, para alcançar a auto-estrada. Aparentemente, ninguém quer ficar na primeira esquina. “Muitos cairão na primeira esquina, mas a revolução continuará”, já dizia o poeta maior. Marcar passos para sobreviver é a meta. As soluções estão a olhos de todos, mas é preciso ser verdadeiro lutador. A reinvenção, tenacidade e a coragem têm de andar de mão dadas. Cada um à sua maneira procura soluções para vencer o crítico momento. A venda de bombó, ginguba e massaroca está nos dias que correm na prioridade de muitos para sobreviver. Aliás, este negócio em Luanda é quase uma marca. Remonta há muito tempo. A certeza é que a afluência ao negócio subiu. Com a fome a dar “duro”, há muita gente a vender estes alimentos em muitos locais da capital.

Dia-a-dia
Diariamente, centenas de pessoas provenientes de vários pontos na sua maioria mulheres, com bacias à cabeça carregadas de mandioca, banana assada, ginguba, massaroca e fogareiro, dirigem-se à Mutamba. Ali, é o ponto crucial do negócio. São muito procuradas, muitas pessoas encontram nelas o “acudir à fome”. Trajada com um avental de cor azul, uma toca na cabeça, Luzia Cândida Camuês vende estes kitutes faz anos. Ali sai o seu sustento. Vive no bairro da Boavista, todos os dias sai à madrugada em direcção à baixa de Luanda, seu ponto de eleição para vender. O preço de uma banana assada, e a massaroca varia entre os 100 aos 150 kwanzas, o tamanho determina o preço. O valor a pagar pela ginguba depende também da dimensão do espaço em
uso para medir a quantidade. “O pouco que vendo dá para pagar o colégio e a universidade das minhas filhas. Estou
no negócio há mais de 8 anos”, disse. Luzia Camuês beneficiou do Governo de Luanda, um fogareiro móvel, com duas bandejas, para colocar a banana ou bombó e um espaço para pôr água e refrigerantes. A modernização do equipamento duplicou os cuidados higiénicos. A clientela redobrou, os acidentes de trabalho baixaram. Mensalmente, tem que depositar mil kwanzas numa conta, alegadamente serve de imposto. “Fomos orientados a depositar todos os meses mil kwanzas, numa conta dum banco. Já estamos no quinto mês não soubemos quando termina”, avançou.

Factura
Conta que em tempos bons, pode em média facturar 3 mil kwanzas/dia. São 9 horas da manhã Luzia, é quase invadida pelos clientes. A procura é grande! Arlindo Carique faz parte do leque de pessoas presentes “A banana e outros alimentos da Luzia são muito saborosos. Eu mata-bicho aqui todos os dias”, afirmou. Uma posição partilhada por muitos no local. Num raio de um quilómetro está uma idosa, identifica-se por Deolinda. Está envolvida no negócio deste os anos 90. Quase na casa dos 60 anos, conta que esta sempre foi a sua ocupação. Vende às iguarias próximo à paroquia dos remédios na mutamba, recusa-se a ser fotografada “Oh filho eu não gosto de me tirar fotografia”, factura o suficiente para aguentar às necessidades básicas, disse.
“Não me falta o meu funje. Sabes! Com este negócio consegui pôr um filho meu na universidade, daqui a pouco é doutor.
Muita gente me conhece “, contou. Escusa revelar a facturação, apenas avança que gasta por semana acima de 10 mil kwanzas, para adquirir os kitutes no mercado dos kwanzas. Não teve a sorte de Luzia Comuês, que foi inserida num projecto do Governo. Entre duas pedras colocou o carvão e, vai assando a banana, torrando a ginguba. De quando invés a cinza vem ao de cima. A clientela é imparável vai solicitando, outras indicam a banana como forma de reserva, e cuidadosamente, a idosa prepara o alimento do cliente. Num período de cinco minutos regressa para receber a encomenda. Está tudo! A cena repete-se na área próxima ao Siac no município de Talatona, a sobrevivência depende da venda dos kitutes. Maria Avelina atende às solicitações sem rodeio, factura 3 mil kwanzas por dia. O mercado do Catintom é a base de abastecimento. “Prefiro vender a minha banana e ginguba, e sustento a minha família para evitar deliquentes”, exerce o ofício faz tempo.