O barril de petróleo brent, referências às exportações angolanas, para entrega em Dezembro abriu na quarta-feira desta semana em alta no International Exchange Futures (ICE) de Londres, cotado a 56,72 de dólares, uma variação de 0,19 por cento em relação ao fecho de terça-feira. Na sessão anterior, o petróleo referência fechou a 56,61 dólares.

Previsões

A consultora BMI Research previu, recentemente, que a produção de petróleo em Angola “cresça fortemente” no próximo ano, mas abrande até ao final da década devido aos poços esgotados e ao mau relacionamento entre a petrolífera estatal Sonangol e as companhias internacionais.
“A produção petrolífera em Angola estará estagnada em 2017, crescendo fortemente em 2018 com muitos projectos a entrar em funcionamento mas a partir de 2018 vai cair devido a um forte declínio dos poços em exploração e à falta de projectos novos que equilibram os declínios”, escrevem os analistas desta consultora do Grupo Fitch.
“Com muitos projectos em fase anterior à Decisão Final de Investimento e uma forte presença das maiores companhias internacionais, os riscos à previsão da produção estão do lado superior, mas o mau relacionamento entre a Sonangol e estas petrolíferas colocam os projectos em perigo”, acrescentam os analistas na análise trimestral ao petróleo e gás de Angola.
No relatório, a que a Lusa teve acesso, a BMI Research prevê uma produção de 1,747 milhões de barris diários este ano, o que representa um ligeiro aumento face aos 1,743 do ano passado, mas uma descida sobre os 1,814 milhões por dia bombeados em 2015.
No próximo ano, a estimativa da BMI aponta para uma produção de 1,861 milhões de barris, descendo depois em 2019 para 1,820 em 2019 e para 1,739 e 1,662 milhões até 2021.
Na análise que fazem aos pontos fortes do maior produtor de petróleo na África subsaariana, a par da Nigéria, a BMI aponta a tradição de décadas na exploração petrolífera no país, o forte potencial de exploração no pré-sal e um regime fiscal e de licenças estável.
Além destes pontos positivos, a BMI Research nota também um grande número de projectos em desenvolvimento e as intenções do Governo em termos de monetização dos recursos do gás, a que se junta a previsão de forte subida no consumo de petróleo e gás.

Visão da Sonangol

A presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Isabel dos Santos, disse esta semana que a petrolífera quer reduzir o “break-even” nos custos de produção de petróleo na ordem dos 20 a 30 dólares por barril, com o objectivo de produzir
barris a 40-50 dólares.
À margem da conferência FT Africa Summit, organizada pelo Financial Times em Londres, na qual Isabel dos Santos participou como oradora, a PCA sublinhou que as mudanças que estão a ser implementadas na empresa vão ajudar a estabelecer novos acordos de exploração e produção e reduzir custos significativamente.
“Estamos a reestruturar os nossos termos e condições para os tornar mais atractivos”, referiu , explicando que em contratos anteriores, “o nível de compromisso não era atractivo”.
Isabel dos Santos referiu que foi feito um diagnóstico exaustivo na Sonangol, o qual incluiu uma avaliação de competências e de procedimentos. Os resultados desse diagnóstico, a par de um contexto económico difícil, levaram a administração a priorizar a Transformação Operacional em detrimento da reorganização corporativa.
O programa de transformação já resultou num Ebitda positivo de 3,2 mil milhões de dólares em 2016, o que significa um aumento de 13 por cento relativamente a 2015. Desde que a nova administração iniciou as suas funções, a dívida também diminuiu de >13 mil milhões de dólares para ~10 mil milhões de dólares no fecho de 2016. Nos primeiros meses de 2017, a Sonangol já tinha conseguido reduzir a dívida para ~7 mil milhões de dólares (dados de Junho de 2017).

Produção de gás

A produção total de gás da Sonangol em 2016 foi de 1,7 MMbopd, o que significa um aumento de 236 por cento em relação a 2015, e em 2017 deverá chegar aos 5,3 MMbopd, concretizando um aumento de 209 por cento face a 2016. Isabel dos Santos apontou o gás como parte central da estratégia da Sonangol para diversificar e sublinhou que o crescimento do consumo de gás será mais rápido do que o de petróleo.
“Temos de ser uma empresa mais ágil, mais competitiva, mais lucrativa e com uma gestão mais parecida com a que vemos no sector privado”, sublinhou.
A Sonangol mantém o objectivo de construir uma nova refinaria, apesar do cancelamento dos trabalhos para uma refinaria planeada no Lobito.