A indústria do petróleo e do gás em África continua a enfrentar desafios de mercado resultantes do baixo preço do petróleo, da concorrência pelo crescimento das receitas e do talento local, juntamente com novas expectativas dos investidores e reguladores.
“A indústria do petróleo e do gás em África está a sofrer alterações e perturbações significativas. São alterações fundamentais nas estratégias das empresas, nos modelos de negócio e nas formas de trabalhar”, disse o líder da consultora para petróleo e gás da PwC em África.
Segundo o relatório da PwC, O contínuo preço baixo do petróleo foi aceite como a nova realidade na indústria do petróleo e do gás, e as empresas começaram a preparar os planos que permitam uma resposta mais ágil às flutuações de
preços dos produtos no futuro.
Para algumas empresas, isto significa uma diversificação do portfólio, com muitas empresas a ponderarem uma mudança para um conjunto energético que inclua algumas energias renováveis. Apesar dos desafios, existem muitas oportunidades
no continente africano.
“O momento é oportuno para que as empresas do petróleo e do gás utilizem os avanços na tecnologia como forma de ir ao encontro de alguns dos desafios que devem enfrentar. Em vez de andar sempre atrás do resto do mundo, achamos que a indústria deve dar o salto para estar, não apenas imune às perturbações, sendo em vez disso,
a sua causa”, disse Bredenham.
O estudo do Petróleo e Gás em África, 2017 da PwC analisa o que ocorreu nos últimos 12 meses na indústria do petróleo e do gás no seio dos maiores mercados
e também nos emergentes.
Até ao final de 2016, consta que África terá reservas comprovadas de gás natural de 503,3 mil milhões de pés cúbicos, mais de 1 por cenro das reservas totais de gás no continente. Cerca de 90 por cento da produção africana de gás continua a ter origem na Argélia, na Nigéria, no Egipto e na Líbia, embora a quantidade geral produzida em 2016 tenha baixado em 1,1 por cento para os 208,3 bcm.
A quota africana na produção mundial de petróleo prosseguiu a tendência de queda dos quatro últimos anos, caindo bruscamente e descendo dos 9,1 por cento da produção mundial no ano passado para os 8,6 por cento.

Desafios do petróleo e gás
Os principais desafios identificados no sector do petróleo e do gás permaneceram inalterados face ao dos anos anteriores, com a incerteza nos quadros regulamentares, a corrupção e as exigências fiscais a permanecerem nos seis principais desafios nos últimos quatro anos.
É de destacar que os custos de financiamento e a volatilidade da moeda estrangeira se tenham tornado desafios mais importantes desde 2015, ano em que se encontravam no 11º e 10º lugares, respectivamente.
“É desanimador que os governos não se adaptem às necessidades e pedidos das empresas do petróleo e do gás, de forma a garantir rigor regulamentar aos intervenientes que procuram investir em negócios no campo dos hidrocarbonetos em diversos países africanos”, comentou Bredenhann.
Na África do Sul, o quadro regulamentar permanece incerto, tendo a separação do petróleo e do gás da mineração ainda não sido atingida na Lei relativa ao Desenvolvimento de Recursos Minerais e Petrolíferos. Outros mercados chave em África, como a Nigéria e a Tanzânia, estão também a sofrer problemas regulamentares significativos.
É provável que as questões regionais e as incertezas relativamente a uma indústria mais ampla e limitada tenham levado os bancos e outras instituições a recear proporcionar condições de financiamento mais favoráveis.
A falta de desenvolvimento de competências continua a ser um problema em África, e está a tornar-se num desafio global em toda a indústria do petróleo e do gás.
Além dos desafios destacados pelas empresas, ajustar-se à nova realidade dos preços baixos do petróleo que permanecem, numa preocupação para as empresas. O preço do petróleo tem estado estável ao longo de 2017, tendo recuperado desde o ponto mais baixo em janeiro de 2016. Quando o índice brent do petróleo chegou perto dos 60 dólares/barril em setembro último, o mercado começou a questionar se a realidade de preço baixo prolongado teria terminado.