Os preços do ouro negro subiram, desde esta quarta-feira (25), depois de terem atingido mínimos de oito semanas face à especulação em torno de uma intervenção militar na Síria, que agora parece cada vez menos provável.

Os contratos futuros de crude West Texas Intermediate (WTI), negociados em Nova Iorque subiram 16 por cento para 103,30 dólares por barril, antes da divulgação dos dados do Governo que apontam para uma diminuição em cerca de um milhão de barris em inventário, levando as reservas a atingir mínimos de 18 meses.

Em Londres, onde são negociados os contratos futuros de brent do mar do Norte, referência para as importações nacionais, o barril atingiu 0,66 por cento para os 109,36 dólares, depois de ter estado duas sessões em queda.

“Há um bom apoio para os preços ao nível a que se encontram, e os dados são o catalisador para que estes possam subir”, afirmou Jonathan Barratt, presidente executivo da Barratt’s Bulletin. “Grande parte do prémio de risco que vimos no mês passado veio das tensões no Médio Oriente, e agora os mercados só querem saber da oferta e da procura. E com a queda que se espera nos inventários, poderemos assistir a uma subida dos preços”.

Previsões superadas
A Agência Internacional de Energia (AIE) previu, recentemente,  que os preços do petróleo continuariam sob pressão durante meses devido às actuais “tempestades geopolíticas” no mundo árabe, apesar “da pausa” dos últimos dias resultante da crise síria.

No relatório mensal sobre o mercado petrolífero, divulgado, a Agência Internacional de Energia (AIE) considera que o plano alternativo para neutralizar as armas químicas da Síria provocou uma “pausa”, mas demonstrou que o preço do barril continua elevado e que aquele conflito continua a manter a pressão.

Além do conflito sírio, o afundamento das exportações de petróleo da Líbia para os níveis mais baixos desde o final da guerra líbia no início do mês não dá sinais de mudança, segundo a AIE.

“As exportações de petróleo da Líbia cairam de uma média de 550.000 barris diários em Agosto e meio milhão de barris por dia em Julho para 150.000 barris diários no início de Setembro”, lê-se no relatório.

A agência reviu em alta ligeira as previsões da procura global de petróleo tanto para este ano como para 2014 devido à melhoria das expectativas macroeconómicas. Concretamente, a AIE prevê que o consumo em 2013 será em média de 90,9 milhões de barris diários, ou seja mais 895.000 barris diários do que em 2012.

Esta estimativa pressupõe um incremento de 70 mil barris diários face à previsão feita no mês passado. Para 2014, a AIE prevê um consumo médio de 92 milhões de barris por dia.

Segundo a AIE, estas correcções resultam das indicações sobre os dados de Julho e Agosto devido ao efeito do “impacto das modestas melhorias na economia”.

A agência refere que se antevê uma possível desaceleração das compras de petróleo por alguns países emergentes, que sofreram depreciações das respectivas moedas, incluindo a Índia, Indonésia, Malásia, Peru, Filipinas e Tailândia, que mecanicamente encarecem a factura energética.

Em relação à oferta de petróleo, a AIE afirma que esta caiu em agosto para 91,59 milhões de barris, menos 775.000 barris, e que esta quebra resultou da diminuição da produção do cartel da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) bem como dos restantes produtores.