A indústria petrolífera angolana é das que nos últimos anos tem implementado com sucesso as políticas de valorização do “Conteúdo Local”, situação que lhe valeu a eleição para sedear, em Luanda, a 2ª Conferência do sector.
Até 2015, os indicadores davam conta de que o sector representava um negócio de 20 mil milhões de dólares/ano como contributo à economia angolana.
Estes números, na visão dos principais “players”, são razão bastante para as empresas nacionais apostarem no “Conteúdo Local”. Ainda assim, são definidos três pilares básicos para que a actuação das prestadoras de serviços ao sector petrolífero seja bem sucedido, designadamente: tecnologia, quadros competentes e legislação actual.
De acordo com o presidente da Associação das Empresas Prestadoras de Serviços à Indústria Petrolífera, Braúlio de Brito, este nicho é operado por mais de 150 empresas, umas de direito angolano e outras misto (nacionais e estrangeiras), e emprega 15 mil trabalhadores, o que por si só revela a sua dimensão estratégica.
Para ele, a lei sobre conteúdo local precisa de normalizada e beneficiar a indústria petrolífera.
A jurista Lurdes Fernandes, que foi prelectora num dos painéis, entende que este desafio passa pela capacitação de técnicos angolanos, mas também pela protecção dos nacionais e um maior incentivo. Foi dela a referência segundo a qual, a título de exemplo, a Nigéria despediu, até ao momento, menos trabalhadores que Angola, e que há naquele país um fundo de ajuda às empresas para situações de crise, o que deveria ser replicado por Angola.

Quotas
A Organização dos Países Produtores de Petróleo Africanos (APPO) pretende atingir, até 2030, uma quota de 30 por cento nos serviços de conteúdo local prestados à indústria de petróleo e gás do continente africano, segundo disse o director de marketing da África Local Content (ALC) Sérgio Silva.
Actualmente, a quota de conteúdo local no continente africano está abaixo de 20 por cento, de acordo com o responsável, que falava no último dia da 2ª Conferência Africana sobre Conteúdo Local na Indústria de Petróleo e Gás.

Nigéria compra de Angola
A Nigéria manifestou o interesse em cooperar e adquirir umbilicais (tubos submarinos destinados à produção petrolífera) de Angola, que considera serem modernos e adaptáveis ao mercado nigeriano.
A fábrica angolana Angoflex, localizada no Lobito, em Benguela, produz umbilicais, como actividade principal, que são enormes tubos de aço que permitem as conexões entre os equipamentos submarinos e as plataformas petrolíferas.

Reformas
novo modelo funcional em finais de 2020

O novo Modelo de Organização para o Sector dos Petróleos, aprovado em Agosto deste ano, e que tem seu termo previsto para finais de 2020, não deverá causar perturbação ao funcionamento da Sonangol, actual concessionária, e que deverá passar esta tarefa a Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANPG).
Num recente documento à imprensa, o Ministério dos Recursos Minerais e Petróleo fez saber que o processo de resstruturação está a ser levado ao cabo por uma comissão intermiomnisterial e integra o órgão de tutela, o Ministério das Finanças e a própria Sonangol.
No quadro da operacionalidade da futura Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANPG) soube-se que a actual estrutura da Sonangol que cuida dos processos de concessão deverá ser transferida, sem prejuízo de funções ou outras de âmbito organizativas, para que o novo operador dê continuidade ao que até aqui está a ser e muito bem feito.
Neste momento, o processo decorre e dividido em três fases distintas, sendo preparação da transição, transição e optimização & conclusão.
De acordo com o Ministério dos Recuros Minerais e Petróleos, está a ser elaborado um plano de comunicação para os parceiros com o objectivo de pontualizar de forma regular o andamento dos trabalhos realizados.
É já dentro deste programa, segundo fez saber o Ministério, que está em curso o processo de regeneração da petrolífera angolana, a Sonangol E.P.