A expansão dos serviços de recauchutagens é visível em todas as artérias de Luanda, sobretudo nas zonas periféricas devido o aumento de viaturas que fazem serviços de táxi e da proibição de importação de pneus usados vindos do mercado europeu.
Apesar de existir um numero elevado de lojas de venda de pneus novos, as existentes não satisfazem os anseios dos automobilistas, por um lado a julgar dos preços altos e por outro a pouca durabilidade dos mesmos.
Em função disso, muitos automobilistas têm recorrido sucessivamente às recauchutagens para remendar ou colocar um chouriço num pneu ao inves de comprar um novo, argumentando que os novos, muitas vezes de origens chinensa
é de popuca durabilidade.
Apesar de as importações de pneus ter sido vetadas, existem muitas lojas que continuam a vendar pneus usados, e os automobilistas preferem estes por serem mais duráveis, pois são de origem europeia.

Expansão do negócio
Foi o aumento do parque automóvel que alimentou o surgimento de um nicho de negócios. Desde esta altura, comprar, recauchutar ou trocar um pneu deixou de ser um problema. Onde há casas oficiais e improvisadas para prestar estes serviços e em
alguns casos 24/24 horas.
Em qualquer parte da cidade de Luanda, segundo apurou a reportagem do JE, podem ser encontrados especialistas nesta actividade, o que evita constrangimentos aos automobilistas durante o trafego, quer seja na circulação dentro das localidades ou nas viagens às provinciais.
Na ronda efectuada pela reportagem do JE constatou que o negócio das recauchutagens é, sobretudo, um negócio dominado por nacionais e expatriados, e na sua maioria provenientes da República Democrática do Congo (RDC), com uma diferença de preços, entre ambos que, segundo os mesmos, é determinada pela qualidade do produto.
Embora com dificuldade de vária ordem, os serviços são feitos com qualidade. Apesar disso, ainda existem alguns “aprendizes” que em muitos casos, comprometem o trabalho, mas de grosso modo, os clientes
saem sempre satisfeito.
Actualmente, a actividade de recauchutagens é acessível a todos bolsos, pois os preços variam de acordo a cilindrada da viatura (turismo, jeep e camião).

Os profissionais
Mavinga Nzinga, de 43 anos de idade, está no ramo há 12 anos, a sua recauchutagem localizada no bairro Morro Bento , município da Belas, em Luanda, é gerida por congoleses democráticos.
Segundo o proprietário, este negócio tem as suas fases, nem sempre é rentável, apesar da sua recauchutagem encontra-se numa área bem localizada.
De acordo com o empreendedor, por exemplo, uma lâmina de chourição para concertar um pneus furados custa 200 a 5000 kwanzas dependendo da origem e da durabilidade do material.
“Normalmente cobro 1.000 kwanzas por cada furo no pneu, e quando o cliente pede desconto paga a 800 kwanzas. Para encher o pneu, normalmente cobro 100 kwanzas e 150 para calibrar “, disse, antes de acrescentar que trabalha com quatro pessoas e que todo valor que conseguem é repartido equitativamente.
Já Pedro wanxi,de 32 anos de idade, exerce a função há seis anos. Disse que antes levava diariamente para casa cerca de 15 mil kwanzas. Mas hoje, as coisas ficaram complicadas devido a situação financeira
que o país atravessa.
Por isso, Pedro Wanxi disse que vende pneus de ocasião com preços a variarem dos cinco a 10 mil kwanzas, dependendo da arigem do pneu e cilindrada do carro. Por exemplo, um pneu referência 14 pode custar
cinco a seis mil kwanzas.

Revendedores
Durante a ronda, o JE contactou alguns revendedores, e constatou que boa parte dos clientes que se deslocam com frequência aos agentes fazem-no com o intuito de questionar a qualidade e durabilidade do material comercializado.
De acordo com Sandro Emanuel, é da responsabilidade dos revendedores tornarem séria na sua actividade, para não prejudicar os utentes de viaturas, até porque são estes
a sua fonte de rendimento.
“A má qualidade dos pneus e acessórios que nós vendemos pode ser o motivo pelo qual os mesmos têm pouca durabilidade” disse.
Por isso, conforme diz, às vezes o recauchuteiro coloca mal o pneu causando danos no material e nós que vendemos somos chamados a responsabilidade, fazendo com que uma semana depois do conserto, o utente é obrigado a recorrer novamente a pessoa que vendeu, “por isso, todo o cuidado é pouco”, disse.