Se a economia dos produtores assenta na exploração de petróleo cria um espaço de manobra para se recuperarem de forma artificial do desequilíbrio económico em que se encontram. E a recuperação só será sustentável e vigorosa, se fizerem reforma estrutural profunda e liberal, capaz de transformar as suas economias num mercado competitivo, em que o estado é mínimo, há livre mercado e liberdade económica, bem como a privatizações e abertura ao comércio externo.
De forma estrutural não acredito que o preço do petróleo atinja os 80 dólares. Mas, de forma artificial pode ser, e depois teremos uma segunda onda de preços baixos num futuro muito próximo, porque a subida do preço do barril de petróleo dos últimos três meses dependeu da estratégia artificial da OPEP, que ainda não acredita que a queda que começou no II semestre do ano 2014 foi estrutural e não conjuntural, e que qualquer solução artificial não fará c om que os preços subam de forma sustentável, na medida em que quem está a compensar os cortes dos membros da OPEP (que estão a descontinuar muitos investimentos no sector atráves desta estratégia) são os garimpeiros do petróleo de xisto nos Estados Unidos de América.
Quanto à subida constante do preço do petróleo, implica o fim da crise económica em Angola, acho que não e nem mais ou menos. Repara, a nossa crise não é a do petróleo e nunca foi, pois ela (crise) do modelo económico que assenta no Estado que originou a economia do consumo explosivo que destruiu a riqueza do país nas últimas décadas. Vamos lá ver: as causas em grande parte resultam da economia comportamental (consumismo, não poupança e produtividade), pelo que a política económica errou na matriz (nos primeiros 13 anos do século 21, na medida em que criamos um modelo económico que assenta no consumo público explosivo). Tínhamos e temos, depois de alcançar o nosso bem maior a paz, um problema no lado da oferta (produção interna) e pensámos que era no lado da procura (o consumo), então, começamos e continuamos a fornecer subsídios e incentivos para o lado da procura (através de orçamentos expansionistas), desconsiderando o supply side (parte da oferta de bens e serviços da economia). Tínhamos um problema de falta de oferta e tratamos como falta de procura como os keynesianos advogam. E as políticas ultra-expansionistas do consumismo absoluto da última década em Angola foram apoiadas entusiasticamente pela maior parte dos economistas keynesianos angolanos que hoje fingem não ter nada a ver com o assunto. E a economia angolana tornou-se mais keynesiana do que o próprio Keynes. Daí considerar que a nossa crise não é causada pelo petróleo, pois a economia angolana sofre de uma crise de consumo explosivo e destruição de riqueza, na medida em que quanto mais aumentávamos a dimensão do sector público, retardávamos o crescimento económico e dávamos cabo da riqueza.
Os países africanos estão a se afastar cada vez mais do petróleo apostando em energias renováveis e indústrias sustentáveis. Se será uma maneira de os países deixarem de depender menos do petróleo, acho que eles não têm outra saída a não ser esta, mas para saírem de forma sustentável da dependência das matérias-primas é preciso apostarem nos laboratórios de talentos, ou seja, em ensino vocacionado ao mercado com liberdade, como fizeram os países asiáticos, particularmente, a Korea do Sul, Hong Kong, Singapura, Taiwan e a China, isto seria um milagre. É preciso alterarem os seus modelos económicos em que mais de 70 por cento do que comemos depende da autorização do Estado, se não vamos continuar parados e a pedir esmola como reestruturar dívidas, enquanto os mais desenvolvidos estarão a correr.
Falou-se também que no âmbito do Plano Intercalar o Executivo prevê rever o Decreto Legislativo Presidencial 02/16 de 13 de Junho, sobre o princípio de tolerância e flexibilidade contratual, por forma a corresponder às exigências actuais do mercado petrolífero, em particular para a promoção do desenvolvimento de campos marginais. Primeiro esta medida já deveria ser implementada anteontem, porque o excesso de regulação dos mercados amarra o funcionamento e o desenvolvimento, bem como a criação de riqueza por parte das empresas, pelo que, quem conhece melhor o mercado são as Empresas e não o Estado.
Angola tem de seguir o comportamento dos reguladores estratégicos do sector petrolífero das melhores realidades do mundo e ultrapassá-los do ponto de vista de incentivos às empresas do sector, na medida em que o custo geral na exploração de petróleo em Angola é bastante alto.

A até 1963, o petróleo só representava 10 por cento do PIB e o país era sustentado com a produção agrícola com destaque para o café que permitiu erguer boa parte do património imobiliário que existira na altura.
A maior parte dos países produtores de petróleo está instável e em constante conflito como são os casos da Venezuela, Irão, Líbia, Arábia Saudita, Nigéria e outros.
O preço do crude no mercado internacional é volátil e depende de vários factores entre os quais políticos. Por exemplo, a instabilidade num ponto do globo como a do médio oriente pode fazer com que o preço dispare a fasquia dos 80 dólares ou mais, mas caso haja estabilidade nestes pontos de conflito o preço tenderá a baixar, ou seja, essa onda de tensão entre os EUA e Coreia do Norte faz com que haja especulação nos preços.  
Mas mesmo que o barril do petróleo atinja os 80 dólares, não é sustentável, porquanto temos estado a presenciar o surgimento de uma inundação de petróleo com a descoberta de outros mercados. Há países que não eram produtores e com as descobertas passaram a produzir e fornecer ao mercado internacional.
Por outro lado, nos Estados Unidos há uma onda frenética para a produção de xisto e foi exactamente essa produção que provocou o derrube dos preços do petróleo a partir de 2013-2014, o que aumentou a oferta no mercado internacional e fez baixar os preços.
Além disso, nota-se uma acção positiva dos países em todo o mundo em encontrar mecanismos que permitam reduzir os efeitos dos combustíveis fósseis por fontes renovavéis, mas este é um processo contínuo. Hoje, há cada vez mais iniciativas no sector automóvel e na indústria em fazer funcionar os mesmos com energias não poluentes (verdes), o que mostra claramente uma grande desvantagem em relação ao consumo de petróleo e gás, apesar da sua aplicação em vários domínios com destaque para os motores de combustão interna.  
Enquanto os preços estiverem em cima, é benéfica para a nossa economia, mas temos de estar conscientes de que havendo um desequilíbrio entre a procura e a oferta, os preços tenderão a baixar. A subida que se regista é fictícia e insustentável e não constitui garantias para a economia angolana.  
Muitas empresas estrangeiras com parcerias nacionais com mais de 20 anos no mercado e que até respeitavam o conceito “local content” que visa capitalizar a mão-de-obra nacional fecharam e abandonaram o mercado e o país perde a oportunidade de ter empresas fortes neste sector.
Em relação à lei sobre o regime cambial aplicável ao sector petrolífero na altura da sua aplicação teve um efeito muito positivo porque permitiu que muito dinheiro que circulava em economias periféricas tivesse vindo parar ao mercado angolano, como é o caso das empresas que tinham que de efectuar pagamentos em kwanzas forçando que os dólares que estavam fora viessem para pagamentos.
Com o mercado inundado de dólares funcionou, mas depois da queda do preço do petróleo no mercado internacional, os dólares começaram a escassear, pois o BNA centralizou a gestão das divisas. No período entre 2014-2015 já naquela apelavámos à necessidade de, pelo menos, a abertura de uma excepção que permitisse que as empresas do sector petrolífero fossem pagas em dólares e que as despesas do exterior fossem cobertas exactamente em dólares, mas, infelizmente, a nossa liderança não prestou a devida atenção neste sentido.
Sabe que quando estamos a falar de investimentos no sector petrolífero trata-se de mil milhões de dólares. Logo, as dividas que estas empresas foram contraindo com o suporte de bens e serviços não puderam ser pagas atempadamente, porque, as transferências na altura levam três a seis meses aliadas a muitas reuniões e petições, e o sector petrolífero não se compadece com isso. Acredito que só se vai estabilizar a longo prazo (três a quatro anos). Com a revisão do Decreto Legislativo Presidencial 02/16 de 13 de Junho, sobre o princípio de tolerância e flexibilidade contratual, por forma a corresponder às exigências actuais do mercado petrolífero, em particular para a promoção do desenvolvimento de campos marginais, essa medida trará ganhos significativos. Neste momento, o conjunto de campos descobertos e que foram considerados economicamente inviáveis ou marginais atingem entre 3,5 a 4 mil milhões barris, embora as opiniões vão variando em função de estudos, mas essa é a previsão.
E, naturalmente, muitos destes campos marginais estão em águas rasas ou em regiões de fácil acesso e de produção com baixos custos.