A procura mundial de aço deverá aumentar 1,8 por cento este ano, referiu esta terça-feira a Associação Mundial do Aço (worldsteel). As tensões comerciais crescentes podem desacelerar o mercado, adverte este organismo.
A procura global de aço crescerá 1,8 por cento este ano e, 7 em 2019, estima a worldsteel, que agrupa mais de 160 produtores e representa 85 por cento da oferta mundial desta matéria-prima. O bom momento da economia mundial deverá impulsionar a procura, mas as crescentes tensões comerciais, após os EUA terem anunciado tarifas sobre as importações de aço e alumínio, poderão pressionar o mercado.
Para este ano, a associação estima que a procura atingirá 1,616 mil milhões de toneladas, aumentando para 1,627 mil milhões em 2019.
“Estamos numa fase relativamente positiva quando comparada com o ano passado e com 2016. Vemos crescimento positivo em praticamente todos os países, impulsionando, pela primeira vez em muitos anos, pelo investimento nos países mais desenvolvidos e nas economias emergentes”, disse o director da worldsteel, Edwin Basson, numa conferência de imprensa em Londres.
“A excepção à regra é a China. Prevemos que a procura de aço na China estagne este ano e que decaia no próximo”, acrescentou.
A associação prevê que a procura de aço no gigante asiático, que representa metade do consumo mundial de aço, estabilize este ano nos 736,8 milhões de toneladas e caia 2 por cento em 2019, para 722,1 milhões.
A indústria do aço tem uma facturação mundial de cerca de 900 mil milhões de dólares (728 mil milhões de euros) anual.
A worldsteel estima um crescimento da procura de 1,8 por cento este ano e de 1,1 em 2019 nas economias desenvolvidas. Nas economias emergentes, excluindo a China, o crescimento deverá ser de 4,9 este ano e de 4,5 no próximo.

União Europeia
A Comissão Europeia lançou segunda-feira uma investigação de salvaguarda à importação de produtos de aço para a União Europeia, senda esta uma das medidas anunciadas como resposta às restrições impostas pelos Estados Unidos às importações de aço e alumínio.
A investigação, que deve estar concluída num período máximo de nove meses, incide sobre 27 produtos de todas as origens e pretende responder ao eventual impacto da decisão do Governo norte-americano de aplicar taxas alfandegárias de 25 por cento sobre as importações de aço e de 10 sobre as de alumínio possa ter no mercado comunitário.
“Vamos esperar pelo resultado desta investigação para decidir sobre eventuais medidas de salvaguarda”, esclareceu o porta-voz responsável pela área do Comércio, Daniel Rosário, na habitual conferência de imprensa diária da instituição, em Bruxelas.
Este procedimento, que não exclui a aplicação de medidas provisórias enquanto decorre a investigação, pode resultar, caso se revele necessário, na imposição das tarifas ou quotas de importação de modo a proteger os produtores europeus de importações excessivas.
De acordo com a Comissão Europeia, o mecanismo de vigilância comunitário para as importações de aço, activo desde Março de 2016, expôs um aumento da importação de certos produtos de aço, uma tendência que se poderá agravar com as restrições impostas pelo Governo norte-americano.