Para muitos, Janeiro é o “mês da fome”. A capacidade de comprar bens e serviços é reduzida devido aos gastos do período festivo que são feitos por boa parte das famílias. O resultado desse período é um ligeiro “arrefecimento” nas compras. Nos supermercados há mais espaço seja para estacionar como para circular. A agitação de Dezembro cai rapidamente e até nos caixas as filas de espera são de papel invertido: o funcionário é que aguarda pela chegada do cliente que quer pagar. A observação que se fez, esta semana é a de uma ligeira baixa nos preços dos produtos essenciais. O arroz e o açucar, por exemplo, custam menos nalguns supermercados pela terceira semana consecutiva. As promoções começam a ser o padrão da comunicação nesse período, mas em contramão está o claro pouco poder de compra dos clientes. O que vale é mesmo a estabilidade que se assiste nos preços, porquanto, quando assim ocorre é mais fácil a programação das despesas dos diferentes agregados. Mas o mercado está expectante. Este Janeiro é o da já anunciada subida de salários na função pública e nalguns organismos de tutela do Estado. Será que a maior massa disponível virá a afectar os preços de oferta dos bens essencias?!...

Alimentação e bebidas contribuiram mais para a alta da inflação no mês de dezembro

A taxa de inflação, medida pelo Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), registada em Dezembro de 2018 foi de 1,41 por cento, cerca de 0,09 pontos percentuais superior à registada no período anterior.
De acordo com o relatório  apresentado pelo  Instituto  Nacional de  Estatística, a variação homóloga situou-se em 18,60 por cento, tendo um decréscimo de 5,07 pontos percentuais com relação à observada no mesmo período do ano anterior.
Os dados apresentados a jornalistas durante a  apresentação das Contas  Nacionais Trimestrais (CNT) revelam que a classe Alimentação e Bebidas não Alcoólicas” foi a que mais contribuiu para a taxa de inflação do mês, com 0,69 pontos percentuais.
Seguem-se as classes “Bens e Serviços Diversos” e “Vestuário e Calçado” com 0,15 pontos percentuais cada “Mobiliário, Equipamento Doméstico e Manutenção” com 0,11 pontos percentuais.
Constituíram classes com maior variação as de “Bebidas Alcoólicas e Tabaco” com 2,73 por cento “Bens e Serviços Diversos” com 2,06, “Vestuário e Calçado” com 2,01 e “Alimentação e Bebidas não Alcoólicas” com 1,53.
O IPC de Luanda no período de Novembro a Dezembro registou uma variação 1,51 por cento, cerca de 0,12 pontos percentuais superior a do período anterior.
A variação homóloga, de acordo com o INE, situou-se em 18,21, registando um decréscimo de 8,05 pontos percentuais com relação à observada em igual período. do ano anterior.


Comércio de estrada cresce e faz de residências armazéns e lojas de conveniência

As principais avenidas de Luanda estão a ver alteradas o seu rosto. As vivendas que eram o postal de cada rua ou esquina dos centros urbanos agora começam a dar lugar a armazéns, lojas de conveniência, de venda de peças e sobressalentes ou ao famoso “Mamadú”.
São poucas as avenidas onde passamos e verificamos a zona frontal dominada por habitação. É um crescente comércio de estrada, que embeleza nuns, mas que desvirtua noutros pontos.
A zona da Samba, na avenida “Estrada da Corimba”, é possível verificar que ao sair da referência Nzamba 2 até à zona do Morro da Luz as pequenas lojas, cantinas e pontos de serviços tipo recauchutagem e lavandarias apagam a imagem das residências.
Cenário igual vê-se na Revolução de Outubro, sentido quem sobe da Maianga ao Prenda e zona do Aeroporto. Não é diferente na 21 de Janeiro, Rocha Pinto - Gamek.
A dona de casa Mila Ngola,  é de opinião que boa parte dos lojistas e vendedores repartem a estrada com automobilistas, o que cria uma desordem no trânsito rodoviário, e amontoados de lixo.
“Às vezes, é muito difícil atravessar a estrada devido a esta confusão. Uns querem atravessar outros vender e até conduzir. É confusão por toda a parte e se houver um armazém ao lado é mais complicado ainda”, conta.
Para o funcionário público Augusto Nunes existiam zonas onde estavam instaladas lojas e armazéns em que o aspecto era de uma lixeira em plena zona urbana, mas que graças à “Operação Resgate”, hoje é possível andar-se por aquelas zonas.
“Várias vezes deparávamo-nos com situações constrangedoras. Era muita confusão e muito lixo em volta dos armazéns, no Golf 2, por exemplo, um perigo à saúde pública. E para agravar a situação, vários camiões à espera para descarregamento de bebidas e alimentos estacionavam desordenadamente; ocupando uma boa parte da estrada, além do comportamento reprovável dos taxistas, que paravam em qualquer sítio, desrespeitando as regras mais elementares do trânsito rodoviário”, explica.
Por sua vez, a gestora de contas Lúcia Fernandes disse que ao contrário de outros países, em que os armazéns se destinam à venda a grosso, em Angola é o contrário, porque este tipo de estabelecimentos também se dedica à venda a retalho, e muitas vezes, os produtos são revendidos ali mesmo ao lado, o que cria uma situação constrangedora.
A técnica de informática Sousa Daniel afirmou ser possível actualmente constatar-se o encerramento da maior parte dos estabelecimentos comerciais, que num passado recente, movimentavam milhares de populares provenientes de várias partes de Luanda e não só, a fim de comprar e comercializar produtos diversos.
A empreendedora Domingas Baltazar opina ser necessário a continuidade de medidas administrativas correctivas por parte das autoridades e que estes devem mostrar seriedade na hora de fiscalizar. Diz que os ilegais devem ser encerrados e sem o esquema da “gasosa”.
A operadora de caixa Márcia Diogo salientou que o encerramento de vários estabelecimentos comerciais tem estado a causar sérios constrangimentos na vida dos populares, sobretudo aos que vivem em bairros sem praça ou lojas legalizadas. Ela, todavia, admite que há muita desorganização no comércio de proximidade.

Mila Ngola
Dona de Casa

boa parte dos lojistas e vendedores repartem a estrada com automobilistas, o que cria uma desordem no trânsito rodoviário e amontoados de lixo. as vezes nem se consegue atravessar a estrada devido a confusão que se cria.

Lúcia Fernandes
Gestora

ao contrário de outros países, em que os armazéns se destinam à venda a grosso, em Angola é o contrário, porque este tipo de estabelecimentos também se dedica à venda a retalho, e muitas vezes, os produtos são revendidos ali mesmo.

Domingas Baltazar
Empreendedora

Muitos dos que insistem criar desordem contam com a amizade dos fiscais, e outros tantos, além de criarem desordem, trabalham com o alvará de amigos ou licença provisória. O armazém não fecha porque conta com o apoio de gente da fiscalização.

Augusto Nunes
Funcionário Público

existiam zonas onde estavam instaladas lojas e armazéns que o aspecto era de uma lixeira em plena zona urbana, mas que graças à “Operação Resgate”, hoje é possível andar-se por elas. afinal, só
é preciso mais disciplina.

Sousa Daniel
Técnica de Informática

 a “entrada em cena” da “Operação Resgate”, que juntou forças de diversos ramos do Ministério do Interior e de outros órgãos do aparelho do Estado veio dar uma nova imagem a várias zonas urbanas da nossa cidade.

Márcia Diogo
Operadora de Caixa

o encerramento destes estabelecimentos comerciais tem estado a causar sérios constrangimentos na vida dos populares, sobretudo aos que vivem em bairros sem praça ou lojas legalizadas. contudo, devemos admitir que criavam muitos constrangimentos.