As reservas em petróleo por explorar no Bloco 17 (situado na bacia do Congo e operado pela Total) estão estimadas em mais de 1,5 mil milhões de barris.
Tecnicamente, estima-se que apenas até 40 por cento do potencial de um bloco petrolífero é passível de extracção, o que faz baixar para a metade as perspectivas dos operadores. Por aqui também compreende-se as inovações feitas pela Total que do Girassol, de 2001, (bloco 17) ao Kaombo, de 2018, (bloco 32) tem vindo a investir na prospecção de novos poços em offshore.
Vendido o potencial ao preço de referência do OGE 2019 revisto (55 dólares por barril) dá uma arrecadação ao país de cerca de 32,8 mil milhões de dólares. Desta receita, 11,5 mil milhões (35%) são para o Estado e a parte de 21,3 mil milhões (65%) para as operadoras e reembolso dos investimentos.
Nos dados fornecidos pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e a Sonangol, esta semana, em Luanda, durante a “Conferência Angola Oil & Gas 2019”, nota-se que durante o mês de Maio a produção nacional dispôs de menos 169 mil barris/dia por problemas técnicos, sendo estes os maiores desafios do sector para assegurar que num curto prazo se volte à fasquia de 1,6 milhão de barris/dia em produção efectiva. Com os referidos problemas técnicos, considerando o preço de referência do OGE revisto, a perda financeira estima-se em 9,2 milhões de dólares/dia.
Também é desafio do Executivo angolano assegurar-se que a Sonangol aumente a sua participação na quota diária de exploração de 1,4 milhão de barris onde dá apenas 20 por cento ou seja 280 mil barris/dia equivalentes a 15 milhões de dólares vendidos ao preço de referência do OGE revisto de 2019, isto é 55 dólares.
As estratégias delineadas pelo sector petrolífero têm em vista a recuperação de 5 a 10 por cento do seu potencial, gerando, deste modo, eficiência e valorização dos activos.
Com as actuais medidas já em implementação no ramo dos petróleos, Angola deve acrescentar à sua produção diária entre 60 e 80 mil barris/dia traduzidos em dinheiro (no preço referência) numa soma de 3,3 ou 4,4 milhões de dólares/dia.

Licitações de novas concessões
Em Outubro, a ronda de concessões de blocos de exploração petrolífera vão pôr à disposição do mercado as bacias do Namibe com nove (9) e de Benguela com um (1), totalizando 10 blocos novos para prospecção.
Nestas licitações, a ANPG admite pelos altos investimentos necessários ser recomendável às empresas angolanas a opção de joint-venture com congéneres estrangeiras, uma vez aquelas possuírem além de conhecimento e alta tecnologia, também capacidade financeira para atender às exigências da indústria.
No quadro da estratégia de oferta de derivados, um acordo assinado entre a Sonangol e a Eni permitiu entregar, mediante um acordo, a construção da nova unidade de produção de gasolina na Refinaria de Luanda à empresa KT–Kinetics Tecnology, que ganhou o concurso público internacional promovido pela petrolífera Italiana - ENI. Depois disso, a capacidade de produção de gasolina da Refinaria de Luanda passará, a partir de 2021, de 300 para mil e 200 toneladas por ano.
Noutro acordo, a Sonangol e a United Shine decidiram-se pela construção de uma refinaria de petróleo bruto de alta conversão na província de Cabinda. A construção faz parte das prioridades da Sonangol e integra o Plano de Desenvolvimento Nacional (2018-2022), no âmbito da estratégia do Governo que prevê a redução dos actuais custos com a importação dos derivados.  Estima-se em 60 mil barris de petróleo/dia a capacidade de processamento, isto para a produção de gasolina, gasóleo, full oil e Jet A1.
Há, igualmente, estudos que poderão definir pela construção de uma outra refeinaria no Soyo

ANPG e exxonmobil em acordo

A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e a operadora americana ExxonMobil assinaram, esta semana, em Luanda, um acordo que prolonga a licença de produção no Bloco 15 até 31 de Dezembro de 2032.
O acto ocorreua à margem da conferência internacional “Angola Oil & Gas 2019”, por Paulino Jerónimo, presidente da ANPG, e por Andre Kostelnik, director-geral da Esso Angola e Lead Country Manager da ExxonMobil para os negócios em Angola.
O documento agora assinado vai, posteriormente, dar origem a uma Adenda ao Contrato de Partilha de Produção, que integrará no grupo empreiteiro a Sonangol P&P, com 10% de capital, e que prevê a produção adicional de 40 mil barris de petróleo/dia. Em simultâneo, irá gerar cerca de 1000 postos de trabalho locais em função da implementação de um novo programa de perfuração e da instalação de novas tecnologias que visam aumentar a capacidade das linhas  de fluxo submarino existentes.
Recorde-se que a licença de produção anteriormente assinada era válida até 2026. A ExxonMobil, focada na rentabilidade da sua operação em Angola e com base no potencial conhecido do Bloco 15, propôs à concessionária nacional a extensão do contrato.