O Estado angolano perde anualmente em média 60 por cento de madeira comercial com o corte, serração, pirataria e importação ilegal no negócio.
A partir deste ano, o Ministério da Agricultura e Florestas vai “disciplinar” e retirar às licenças aos agentes que fazem o trespasse para os chineses, além de substituir a licença anual pelo modelo de concessão, que permite maior controlo e estabelece as
quantidades a serem exploradas.
Segundo o secretário de Estado para as Florestas, André Jesus Moda, que falava numa conferência de imprensa, disse que o sector tem uma contribuição anual no PIB avaliado em 4,5 por cento.
A perspectiva é de aumentar o rendimento. O sector das florestas vê nas medidas disciplinares de exploração como salvação para arrecadar mais receitas, razão que obriga aquele sector na mudança de licença anual para o modelo de concessão, que permite maior controlo, estabelece as quantidades a serem exploradas, afirmou.
A construção de entrepostos para escolher a madeira, o reforço da fiscalização, repovoamento das plantações comerciais de forma directa ou pagamento, e a exploração e comercialização da madeira “mussive” é apontado pelo secretário de Estado como
metas para galvanizar o sector.

Ganhos
O director-geral do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), Simão Zau, disse que durante o ano passado, o sector arrecadou mais de mil milhões de kwanzas, resultante da venda da madeira, aplicação de taxas diversas.
Apontou que grande parte da madeira apreendida é submetida ao leilão.
Contudo, há um défice de fiscais calculados em 336 a nível nacional, porém está em curso uma proposta para a criação da polícia fiscal.
Há em Angola 330 agentes licenciados, apesar de receber anualmente mais de 3 mil solicitações.

Arrecadação de receitas
O secretário de Estado do Comércio, Amadeu Leitão Nunes, disse na ocasião que com a exportação da madeira em 2016, rendeu ao país 37 milhões de dólares, numa altura em que em 2017, os valores arrecadados com a mesma actividade atingiu 22,3 milhões.

Indústria florestal
A nível nacional existem três fábricas de transformação de madeira, sendo duas em Luanda, uma em Benguela.
O Ministério da Indústria licenciou 84 processos para aderir ao negócio.
O consultor Salvador Ferreira apontou a necessidade de se aumentarem investimentos no processo industrial da madeira, para que o “lápis, janela, porta feita de madeira nacional sejam feitos no mercado nacional, mas com valor internacional”.
A mestranda em ciências da agricultura Jofram Oliveira sugeriu a necessidade urgente de se certificar a madeira nacional, para que desta forma se valorize a produção interna e se combata o comércio ilegal.