Tratando-se de um valor até equiparado aos que o Fundo Monetário Internacional (FMI) se comprometeu conceder, em finais do ano passado, ao Executivo e já operou a primeira tranche de 1,5 mil milhões, repercutiu a ideia de bons ventos. Tal ideia também foi agitada por fazedores de opinião, com destaque a também ex-gestora máxima da petrolífera nacional, a empresária Isabel dos Santos.

No seu post, que circulou, primeiro, em grupos privados e não tardou repercutiu-se pela rede Facebook, a empresária Isabel dos Santos dizia que bons tempos se avizinhavam à economia com a notícia de o Estado ter sido beneficiado no I trimestre com um lucro dos petróleos de 3 mil milhões de dólares, valor igual ao que se pediu ao FMI, referenciou.
Entre aplausos e críticas de uns e outros, o que terá faltado complementar na opinião de empresária é o facto de as receitas encaixadas estarem já inscritas no OGE 2019 e que, por esse facto, não representava nada de excelente nem de excedente. Era sim um bom presságio o preço que se previu em 68 dólares no OGE e desde o início do ano até finais de Abril era transaccionado entre os 50 e os 61 dólares.
Na reacção, que se buscou depois disso, o economista Valter Domingos disse que não se deve sucessivas vezes estar a valorizar o petróleo em detrimento da estratégia de diversificação, que segundo ele, vale mais nesta fase da economia.
“Alias, é uma exigência do próprio FMI na nova cooperação com o Governo de Angola, que os esforços de diversificação da economia prossigam e cada vez menos dependência às matérias-primas voláteis sejam observadas”, refere.
Já Manuel Nascimento, ligada ao sector petrolífero, é de opinião que o mais importante nesta eventual fase de recuperação do crude é aproveitarem-se os excedentes do que se previu para garantir que a produção de bens essenciais úteis à economia sejam capazes de proporcionar ambiente empresarial com resultados visíveis na criação de emprego e melhoria dos níveis de remuneração dos já empregados.
O estudante de engenharia de recursos naturais, Marcos Alonso, da Universidade Independente de Angola, entende que a subida do petróleo e a consequente maior arrecadação financeira é sempre uma boa notícia.
Todavia, advoga, os lucros excedentes, se é que existam, devem ser canalizados no circuito económico para a abertura de linhas de financiamentos às empresas produtivas.

Preço nos 75 dólares

O preço do barril de Brent, para as entregas de Junho iniciaram a semana abaixo das expectativas de mercado ao se posicionarem nos 71,15 dólares.
Depois de na quinta e sexta-feita última ter estado a negociar nos 74,78 dólares, o Brent iniciou uma nova vaga de oscilação em baixa, mostrando a volatilidade da commodity.
Contudo, as previsões dos principais “players” são de que a tendência de subida ou ao menos a fasquia de 70 dólares deverá manter-se por algum momento.