As reservas internacionais líquidas (RIL) do país atingiram neste momento um valor recorde, passando dos anteriores 33  mil milhões de dólares de 2012 para os 35 mil milhões (359, 4 mil milhões de  kwanzas) até finais do primeiro trimestre. A informação foi avançada pelo director do departamento de Estudos Económicos do Banco Nacional de Angola (BNA), Pedro Silva.

Segundo fez lembrar Pedro Silva, o BNA, enquanto baluarte da política monetária, vai continuar a apostar fortemente na acumulação das reservas internacionais líquidas (RIL), no sentido de garantir um mercado financeiro mais estável para resistir aos choques económicos externos.

“É um dos objectivos que temos vindo a perseguir, não só para este ano, mas também para a próxima legislatura que se estende até 2017, pois vamos continuar a acumular reservas para resistirmos aos choques externos provenientes da redução do preço do petróleo”, disse o responsável.

Para Pedro Silva, que falava no workshop sobre mercados financeiros promovido pelo Standard Bank Angola, o processo de acumulação de reservas vai permitiu ao BNA fazer melhor acompanhamento e intervir no mercado financeiro com o objectivo de defender a taxa de câmbio.

Por isso, em termos de acumulação de reservas, nos últimos cinco anos, o país triplicou os seus níveis, pois vinha dum indicador de 12 mil milhões de dólares em Dezembro de 2007, fruto do programa de ajustamento que se fez com o FMI. Quanto à taxa de câmbio, Pedro Silva sustentou que esta variável é um indicador muito importante para a banca comercial e para a economia como um todo, por isso, se tem mantido estável nos últimos três anos.

“No mercado informal, tivemos de Dezembro de 2012 a Fevereiro do corrente alguma pressão sobre a taxa de câmbio, mas notámos agora que esta pressão tem vindo a diminuir” realçou.

Pedro Silva disse ainda que o BNA conseguiu controlar este fenómeno inflacionário através de um indicador denominado diferencial entre a taxa de câmbio informal e a do banco central, que se situava na ordem dos nove por cento em Dezembro último, agora está fixado em 6,9.

Mercado monetário
Em 2012, o BNA vendeu mais de 25 por cento de divisas no mercado, comparativamente ao ano de 2011, “e este ano, até na sexta-
-feira última, tínhamos vendido mais 20 por cento do que no período homólogo de 2012”, assegurou. Durante o processo de ajustamento com o FMI, um dos objectivos do tesouro foi fazer poupança fiscal com menor endividamento no mercado e isso levou também à redução das taxas de juro.

“Por isso, registámos algumas repercussões nas taxas de juro activas. Aliás, tínhamos, em Abril desse ano, uma taxa de juro activa para a maturidade de um ano que rondava nos 14 e 15 por cento, que vinham dos 20 por cento em 2009. Por isso, um dos objectivos é o ajustamento, ou seja, incentivar a concessão de crédito, reduzindo o custo do capital para o empresariado”, disse.

Desafios do BNA
Um dos desafios que o BNA se propõe a cumprir a médio e longo prazo, que está dentro das suas atribuições, é preservar o valor da moeda nacional.

“Por isso, queremos manter a inflação a um dígito e continuar a promover o crescimento das reservas. Por isso, estamos a implementar um processo gradual da dolarização na economia e, como sabem, a partir do próximo mês de Julho, os pagamentos de ordenados do sector petrolífero serão efectuados já em moeda nacional”, lembrou.

Taxa de inflação
Os últimos seis anos foram marcados por um período de forte crescimento que culminou em 2009, altura que se deu a crise económica e financeira mundial. Após este período, o país entrou no programa de ajustamento com o FMI.

“Por isso, até 2009, tivemos taxas de crescimento na ordem dos dois dígitos com realce no sector não petrolífero. Foi também nesse período de ajustamento, que tivemos taxas de crescimento inferiores, pois, foi uma etapa em que o foco era estabelecer as reservas internacionais líquidas”, lembrou Pedro Silva.

E em termos de taxas de crescimento, Pedro Silva disse que, entre 2008 e 2012, o país cresceu a uma taxa média que rondou os 6 por cento, em linha com aquilo que tem sido também o crescimento das maiores economias do continente, como a da Nigéria e outras com estrutura semelhante à economia angolana, ou seja, fortemente assente na exportação de “comodities”.

Quanto à inflação, assegurou que o país está a registar uma trajectória decrescente desse fenómeno, pois em Setembro de 2010, “tivemos um pico de inflação que se situou nos 15 por cento.