O ouro tem vindo a desvalorizar desde que alcançou um máximo histórico há cerca de um ano e meio. Um período em que as empresas que exploram e extraem o metal precioso perderam mais de metade do seu valor de mercado, com as margens de lucro a recuarem para mínimos de pelo menos duas décadas.

O valor do ouro tem desempenhado uma queda que está a pressionar o sector das empresas que exploram e extraem o metal. Com margens deprimidas, as empresas do sector vêem o seu valor de mercado cair.

O índice footsie que replica o comportamento dos 27 maiores produtores de ouro do mundo caiu 58 por cento desde 6 de Setembro de 2011, quando o metal precioso alcançou o máximo histórico de 1.920 dólares por onça. No período, o valor de mercado do sector diminuiu em 169 mil milhões de dólares, segundo cálculos da Bloomberg.

Esta evolução, embora explicada pela deterioração das margens, parece não reflectir os 12 anos de ganhos anuais que o ouro somou até ao final de 2012. Visto como a reserva de valor por excelência por muitos investidores, o preço do ouro foi impulsionado pela crise do euro e os receios relativos às regras que limitam a dívida pública nos Estados Unidos.

“As empresas do sector de ouro tiveram um desempenho baixo, nos últimos 20 anos, muito simplesmente porque os resultados atribuíveis aos accionistas são hoje tão baixos como os que tinham quando o preço estava a 300 dólares por onça”, disse o gestor de fundos da Taurus Funds Management, Bretton Suanders, à Bloomberg.

Nos últimos anos, a subida do preço do metal tem justificado projectos de prospecção com custos de extracção mais elevados. Desta forma, o custo médio de produção para as empresas do sector está nos 1.200 dólares por onça, enquanto o metal negoceia nos 1.361,1 dólares por onça.

Com o aumento dos custos de extracção, muitos investidores passaram a comprar índices cujo valor está associado ao ouro e desistiram de apostar nas empresas do sector, refere a agência Bloomberg. Fundos como o SPDR Gold Trust compram ouro e transaccionam unidades de participação com investidores.

As empresas do sector do metal precioso estão a negociar num valor que é o mais baixo dos últimos 20 anos, quando comparado com o preço do ouro. Empresas como a Golden Star Resourses e a Macquarie Group estão em risco de se verem obrigadas a encerrar minas ou a entrarem numa situação de “stress financeiro”.

“Qualquer empresa que não tenha estado focada na redução de custos e em ganhos eficiência durante os últimos três a quatro anos, vai falir, neste mercado”, disse o presidente da kingsgate consolidated, Gavin Thomas, à Bloomberg.

O ouro está a progredir 0,98 por cento para 1.389,9 dólares por onça e a corrigir parte das perdas que registou recentemente. Durante a sessão chegou a avançar 1,98 por cento para 1.402,07 dólares. Uma onça corresponde a cerca de 28,35 gramas.  

Nos últimos dois anos, com o agravar da crise da dívida na Zona Euro, o ouro parou de subir. No momento de maior aflição em torno do euro (sobretudo a segunda metade de 2011), o ouro não subiu, para surpresa daqueles que achavam que seria aí o grande momento da matéria-prima. A verdade é que, como sempre, o mercado tinha antecipado os acontecimentos e a cotação do ouro já incorporava esse cenário.

O ano de 2013 tem sido negativo para o ouro, mas sobretudo as últimas 2 semanas têm sido verdadeiramente devastadoras com quedas abruptas. A possibilidade de Chipre vender as suas reservas de ouro e a diminuição do ritmo de crescimento da economia chinesa são duas explicações utilizadas para explicar este movimento mas, como sempre, prefiro centrar-me muito mais no que os gráficos dizem do que nas explicações que, à posteriori, são sempre mais fáceis de encontrar.

Tecnicamente, o ouro quebrou o importante suporte situado entre os 1520 e os 1560 pontos que era aquela que eu considerava a fronteira entre o “Bull” e o “Bear market”. Depois de 2 anos de uma lateralização e em que as notícias até eram altamente favoráveis aos touros do ouro, o metal precioso quebrou agora um importante suporte e a reacção foi violenta. Dada a dimensão e velocidade das quedas, não me surpreenderia ver um ressalto nas próximas semanas.

O cenário mais de acordo com os cânones da análise técnica seria um ressalto até à zona do suporte quebrado (nova resistência) naquilo que seria um clássico reteste, antes do regresso às quedas. Mas nem sempre os mercados são tão lineares assim.