O sector informal da economia perdeu mais de 100 mil empregos nos últimos três anos, devido à crise económica e financeiras que vigora desde 2014 no país.
Os dados foram avançados pelo secretário-geral da Unta-União Nacional dos Trabalhadores Angolanos, Manuel Viage.
Em declarações ao Jornal de Economia & Finanças, o sindicalista informou que as dispensas ocorridas derivaram ao facto de terem sido encerradas centenas de pequenas e médias empresas e prestadoras de serviço, essencialmente, no sector dos petróleos, construção civil e do comércio.
Nessas duas áreas da actividade económica, foram atiradas para o desemprego mais de 90 mil pessoas, sobretudo jovens, repartidos
em mais de 30 mil.
Na hotelaria e restauração, a média de desemprego atingiu entre quatro e cinco mil, na indústria transformadora perto de cinco mil, na agricultura entre oito e 10 mil e nos petróleos três a cinco mil.
“É só reparar que, na cidade muitas boutiques, lojas de venda de materiais de construção, armazéns e cantinas foram encerradas”, atirou Manuel Viage, para quem o sector informal da economia encontra-se hoje numa situação difícil.

Dívida pública compromote
Além disso, acrescentou que muitas empresas com regime público-privadas dispensaram muitos trabalhadores, em virtude de não pagamento por parte do Governo da dívida pública.
“Muitas das empresas têm atrasos no recebimento do valor da dívida contraída ao Estado, e a única solução que eles encontraram, foi a redução da força de trabalho”, disse.
Nos factos e constatações, a subsidiária da petrolífera francesa Total, a Total Exploração e Produção Angola anunciou em Janeiro último a redução de pessoal que inclui a dispensa de 150 trabalhadores angolanos que constituíam oito por cento da
mão-de-obra da companhia.
Em nota de imprensa, a petrolífera afirmava que a decisão estava relacionada com um processo de reorganização interna que visava optimizar a actual estrutura e tomada quatro anos depois da queda do preço do petróleo, um período em que a Total declarara ter cortado despesas em todos dos sectores de actividade, chegando mesmo a reduzir a folha de expatriados e contratados externos.
Na altura, a Total havia indicado que o processo de dispensa dar-se-ia com a oferta de uma proposta aos trabalhadores visados pela decisão, o que incluía um pacote de indemnizações que reflectissem as melhores práticas da indústria e situadas
acima do exigido por Lei.
Na indústria petrolífera, além da companhia francesa em Angola, o Jornal de Economia & Finanças apurou que quase todas as operadoras rescindiram o contrato com os trabalhadores angolanos e na alguns casos
com os expatriados.
Por exemplo, mais de 200 trabalhadores dos 600 da empresa Ocean Rig, prestadora de serviços do sector petrolífero, lhes foram rescindidos os contratos, estando ainda alguns na condição de serem dispensados, devido à baixa da produção e dos contratos com as companhias operadoras em vários blocos em offshore.
A fonte garantiu que, neste momento, a Ocean Rig tem em vigência um contrato com a Total no Bloco 32, mas os 400 trabalhadores restantes correm o risco de serem dispensados.
A Ocean Rig é um contratante de perfuração offshore internacional que fornece serviços de campo petrolífero para perfuração, exploração e produção de petróleo e gás no offshore, e especializado no segmento de águas ultra profundas e de ambientes severos da indústria de
perfuração no offshore.
A empresa possui e operava 13 unidades de perfuração de águas ultra profundas offshore, composta por duas plataformas de perfuração semi-submersas de águas profundas e 11 embarcações de águas ultra-profundas, duas das quais estavam programadas para entrega à companhia em 2017 e uma em 2018.
Apesar de não se terem números precisos, no sector dos transportes, sobretudo nas operadoras de transportes público de passageiros, houve igualmente despedimentos em massa, muitas empresas estão tecnicamente paralisadas, sem condições financeiras para suportar
os gastos correntes.

Admissões públicas
Manuel Viage garantiu que a função pública poderá admitir mais 40 mil técnicos, incluindo da Saúde e Educação,
até finais de 2018.
Apesar de o Governo ter avançado a impossibilidade de haver novas admissões no decurso deste ano, devido às limitações financeiras,
Manuel Viage discorda.
“Haverá sim novas admissões na função pública, mas não na proporção anterior em que se empregava, em média, entre 30 e 40 mil funcionários”, disse. O responsável da Unta afirmou que na proposta do OGE-2018 refere que está prevista a admissão em caso de falecimento, reforma ou substituição de
postos de trabalhadores.