A quantidade de sementes que Angola importa anualmente não satisfaz 50 por cento das necessidades dos produtores que garantem a segurança alimentar, segundo informou, quarta-feira, em Luanda, o ministro da Agricultura e Florestas, Marcos Alexandre Nhunga.

Ao discursar na mesa redonda sobre diálogo político em produção, disponibilidade e acesso dos agricultores a sementes melhoradas para o fomento agrícola em Angola, no âmbito do Projecto de Desenvolvimento de Competências para a Inovação dos Sistemas Agrários (CDAIS), disse que para virar este quadro, o sector vai trabalhar com empresários em parceria com a FAO e União Europeia.
O ministro explicou que há necessidade de se criar um empresariado agrícola “pro-activo” que estabeleça parceria com homens ligados ao mesmo ramo, em países como o Zimbambwe, África do Sul, Zâmbia e outros com autonomia nesta actividade e consequentemente garantir robustez no sector produtivo.
O governante informou que Angola importa cerca de 95 por cento da semente utilizada para implementar a actividade agrária, factor que tem comprometido os indicadores produtivos e a colheita de alimentos de qualidade.
Apelou para a necessidade de haver um crédito bonificado aos empresários que se dedicam à produção de sementes.
Por isso, alerta para a implementação do chamado “Pressuposto para o desenvolvimento da agricultura angolana”, cujo primeiro aspecto passa pela produção de sementes internamente, criar parceria com países da região como , Zimbabwe, África do Sul, Zâmbia, países que produzem sementes que eles consomem, apontou.
O investimento na investigação, a criação de créditos para fornecedores de insumos, a optimização da produção, o uso de sementes melhoradas, a certificação das sementes são outras formas que no futuro podem garantir a segurança alimentar.

UE apoia projectos

O represente da União Europeia no evento, Danilo Barbero, disse que a sua organização tem disponíveis 12 milhões de dólares para apoiar o “projecto piloto de sementes” na Ásia, América e África, sendo que neste último continente apoia países como Angola e Etiópia.
Para o gestor, a UE apoia o projecto Agrícola em Angola por considerar uma potência neste sector para garantir a auto-suficiência alimentar, segurança alimentar e terminar com a pobreza.
Por sua vez, a representante da FAO, Gherda Barreto, lembrou que o encontro resulta de uma consulta, que teve lugar na cidade do Huambo, e contou com a participação de cooperativistas, estudantes universitários e investigadores, que recomendaram que os indicativos produtivos podem aumentar com a injecção de mais sementes no mercado.
Segundo o relatório da FAO sobre a segurança alimentar no mundo, elaborado no ano passado, existem ainda sectores sub-alimentados.
A FAO vai continuar a apoiar o sector da agricultura familiar em Angola, para alcançar o desenvolvimento sustentável para a erradicação da pobreza em África até 2025.

Governo incentiva produção

A coordenadora do Desenvolvimento de Competências para a Inovação dos Sistemas Agrários  (CDAI), Maria Conceição do Nascimento, referiu que a criação de sementes melhoradas é importante por ser um dos objectivos do desenvolvimento Sustentável do Milénio
Será também através do reforço da capacidade institucional dos órgãos afins, estabelecimento de parcerias público-privado, promoção da comercialização de sementes, bem como o incentivo do desenvolvimento das indústrias colaterais.

Produção interna
O director-geral do Serviço Nacional de Sementes (SENSE), Augusto Caetano da Silva, disse que a produção interna de sementes está calculada actualmente em 949  toneladas de milho, soja (353), batata (530) produzidas em Kambondo, na província do Cuanza Sul, Jardins da Yoba, na Huíla e WinHall em Malanje.
Quanto à estratégia de aumento da oferta de sementes melhoradas será mediante a celebração de acordos de parcerias, no quadro da cooperação bilateral e multilateral.