Ao cidadão comum ou até mesmo pessoas avisadas nos países produtores de petróleo, e muito dependentes desta matéria-prima de exportação mundial, a notícia de que o preço do barril subiu é, normalmente, motivo de festa por representar mais receita à economia. A acção gera às vezes pressão às contas, sendo que, no caso angolano, não poucas vezes, os preços dos bens e serviços no mercado também sobem sob a justificativa de que o petróleo já subiu e logo há mais dinheiro.
Engana-se quem assim pensa. Por exemplo, neste momento, as encomendas que estão a ser feitas são para entrega em Julho, o que quer dizer que só a partir de Agosto é que as receitas nacionais vão beneficiar das vendas que estão a ser negociadas.
Sobre isso, o especialista angolano em petróleo José de Oliveira, numa entrevista a este jornal, explicou que as pessoas precisam de compreender que a arrecadação das receitas petrolíferas nem sempre acompanha a subida, pois das encomendas às entregas há um período que, às vezes, excede os três ou quatro meses. “Por isso é que se chama de mercado dos futuros”.

Influência ao rating
Recentemente, a agência Fitch manteve o ‘rating’ da dívida soberana de Angola no nível ‘B’, abaixo da escala de investimento, ou ‘lixo’, melhorando a perspetiva de “Negativa” para “Estável”, face à subida da cotação do petróleo e apoio do FMI.
Na avaliação divulgada pela Fitch, a agência refere que esta melhoria na perspectiva sobre Angola, na notação do risco da dívida externa de longo prazo (Long Term Foreign-Currency Issuer Default Rating - IDR), “reflecte melhorias na gestão do regime cambial”, bem como a adopção pelo Governo de “uma agenda de reformas ambiciosa”.

Redução nos investimentos
Dados sobre a Sonangol dão conta que a petrolífera estatal prevê investir 3.600 milhões de dólares (3.070 milhões de euros) na actividade petrolífera entre 2018 e 2020, os valores mais baixos dos últimos anos, segundo informação governamental enviada aos investidores.
De acordo com dados recentes do governo, a petrolífera pública investiu, em exploração e produção de crude, refinação de combustíveis e transporte e distribuição, 4.3 mil milhões de dólares em 2015. Esses investimentos caíram para 2,9 mil milhões em 2016 e 1,5 mil milhões em 2017.
Para o mesmo tipo de actividades, acrescidas das operações “não core” do grupo, a Sonangol prevê investir, este ano, 1,8 mil milhões de dólares; 1,1 mil milhões em 2019 e 651 milhões em 2020.
De acordo com dados recentes, o investimento a realizar pela Sonangol até 2020 será garantido através da combinação de fundos próprios com empréstimos, “incluindo nos mercados de capitais internacionais”. Em operações internacionais, o grupo conta com participações directas e indirectas na Puma Energy (27,93 por cento), Millennium BCP (19,5), Galp (9) e Carlyle Energy Funds II e III (10 em cada). Já os investimentos da Sonangol em Angola incluem participações em várias instituições bancárias, como o Banco Económico (39,4 por cento), Banco Africano de Investimentos (8,5), Banco de Comércio e Indústria (1,04), Manubito (33,3) e Caixa Angola (25), além de deter uma quota de 25% na Unitel, a maior operadora de telecomunicações móveis em Angola.