A emissão de eurobonds (títulos de dívida soberana angolana) em moeda estrangeira nos mercados internacionais representa uma mais-valia para os compromissos imediatos da economia, apesar de estarmos a falar de um aumento do endividamento público em dois mil milhões de dólares, equivalente a cerca de 430 mil milhões de kwanzas. O ministro das Finanças recebeu, recentemente, conforme decreto presidencial, autorização para proceder a emissão de títulos. De acordo com o economista Rui de Sousa Malaquias, as vantagens são enúmeras, comparativamente aos empréstimos bilaterais como os que Angola tem com a China, Brasil e Israel, em que se negoceia em posição de desvantagem face a aflição na obtenção do empréstimo. Na emissão destes títulos de renda fixa, considera, está-se a pedir dinheiro emprestado ao mercado, em que a taxa de juro será determinada pela força da oferta e da procura deste mesmo mercado. O economista considera também como vantagem o facto de Angola continuar a ter acesso aos mais respeitados mercados internacionais para a emissão de dívida soberana, sendo que a primeira emissão foi em Novembro de 2015, quando emitiu-se 1.5 mil milhões de dólares. Para ele, deve ser encarado como factor de credibilidade mundial conseguir-se intermediários financeiros do calibre do DeutscheBank e o ICBC, para operacionalizar as transacções angolanas, pois estes intermediários financeiros não estão dispostos a fazer qualquer tipo de operação o que mostra que os títulos públicos de Angola têm aceitação entre os investidores, apesar da taxa de juro a ser estabelecida.

“A taxa de juro deverá ser determinada pela forma como os investidores pela forma como os credores olham para a nossa economia, para a nossa estabilidade política, credibilidade das nossas instituições e principalmente a capacidade e comprometimento em honrar as nossas responsabilidades”, disse.
Rui Malaquias entende que, neste momento, a desvantagem poderá estar claramente associada à taxa de juro, que poderá ser tanto mais elevada, quanto mais risco os investidores atribuírem aos nossos títulos, o que quer dizer que o nosso desempenho económico, financeiro e político será decisivo para o futuro
serviço da dívida.