Angola vendeu menos dois milhões de barris de petróleo nos últimos três meses de 2018, comparativamente ao III trimestre. A queda é provocada pelo facto de o maior importador do petróleo do país(China), ter voltado o seu interesse às reservas dos Estados Unidos da América.
Segundo informou, recentemente, o presidente do Conselho Executivo da Sonangol, Luís Manuel, a venda de petróleo no período em referência foi de 45 milhões de barris, que resultou numa arrecadação de três mil milhões de dólares, o que representa uma queda de cerca de 4,2 por cento em relação ao terceiro trimestre.
“Naturalmente, com essa redução não tivemos uma arrecadação de 512 milhões de dólares. Porém, temos a destacar que o preço médio alcançado esteve em cerca de 67 dólares por barril, um valor não muito distante do preço médio do Brent, que esteve em aproximadamente 68 dólares”, informou.
De acordo com dados da Sonangol, durante o IV trimestre, a redução nas vendas foi influenciada, além da razão acima citada, também pelo facto de a Índia ter reduzido a sua procura pelas ramas angolanas, por ter ficado privada durante um determinado tempo da sua produção industrial, entre outras razões.
“Conforme falamos atrás, houve influências do aumento das reservas do petróleo não convencional produzido pelos EUA e que incrementou alternativas em termos de oferta no mercado o que resultou na redução pela procura das ramas angolanas”, enfatizou.
Destacou ainda o facto de ter se assistido níveis altos de taxa de frete. Explicou que ainda assim se assistiu também a redução de algum interesse pelas ramas angolanas, isto ocorre, principalmente, porque as ramas angolanas são maioritariamente compradas e apetecidas pelo extremo oriente e numa conjuntura em que os níveis de frete são elevadas há maior interesse pelas ramas mais próximas.

92 mil toneladas métricas entregues nos últimos meses

As exportações da Sonangol, no IV trimetre de 2018, caíram em mais de 70 por cento, para 92 mil toneladas métricas, em relação às 316 mil toneladas métricas registadas no III trimestre.
Segundo a Sonangol, as exportações nos últimos três meses de 2018 permitiram arrecadar um valor bruto de 39, 6 milhões de dólares.
Quanto às importações, a empresa registou cerca de 975 mil toneladas métricas, que resultou num dispêndio de mais de 679 milhões de dólares, situação um pouco influenciada pelo facto da Refinaria de Luanda ter encerrado em Dezembro para manutenção.
“O que aconteceu com as importações foi o contrário. Nós aumentamos as nossas importações de produtos em cerca de 212 mil toneladas métricas e resultou num dispêndio para o 4º trimestre em comparação ao 3º de 153 milhões de dólares”, informou.
De acordo com Luís Manuel, o decréscimo observado durante o IV trimestre, foi influenciado pela tensão entre as potências EUA e China, relativamente à adopção de taxas nas suas relações comerciais, bem como as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irão.