A menos de uma semana para o natal, os vendedores ambulantes comemoram lucro extra, apesar de acreditarem que mesmo assim o cozido será sem bacalhau “Vamos fazer o cozido com pescada”, responde um vendedor de rua com alegria”.

Às portas da ceia de natal, a zungueira de frutas Tina Feliciano afirma que, embora o clima de venda não seja o mesmo, há algum tempo, chega a facturar pelo menos 15 por cento a mais nessa época.
Há um ano a vender frutas (actualmente manga) no centro da cidade, Tina Feliciano contou-nos que já mudou de negócio mais de duas vezes neste ano, porque os produtos sobem quase todos os dias.
“Por exemplo, no início do ano, vendia maçã e desisti porque agora a caixa está a custar kz 15 mil. Antigamente, comprava a kz 4.000 e depois a 9.000, hoje só levo kz 2.500 por dia para casa”, afirma.
Tina disse-nos que em Janeiro de 2016 perdeu o emprego num restaurante como ajudante de cozinha, e para não ficar em casa, optou por trabalhar como ambulante a convite de uma vizinha.
“Não podia ficar parada, mas hoje não tenho razões de queixa, pois há meses até que faço mais dinheiro do que o meu antigo salário, porque as frutas são muito consumidas, mesmo com a crise”, disse .
Sob sol forte, muitas vezes enfrentou a repressão de fiscais, na medida em quese deslocava por vários quilómetros carregando o peso das mercadorias. Vários deles desejam ter outra ocupação ou conseguir um lugar fixo mas também contestam os preços e a dificuldade de adquirir um lugar num mercado.
“Para conseguir um lugar no Mercado do 30, tens que ter entre kz 20 e 70 mil , dependendo do lugar.
“Agora, quando é que a pessoa vai conseguir juntar esse dinheiro se o que ganhamos nem chega para dar de comer os filhos?”, questionou uma zungueira, que no momento não
queria que fosse identificada.
Do lado de Tina , estava Maria Rogério 46 anos, que, há 20 anos anda nestas lides.
Ela que vende pelas ruas da Capital variedades de frutas, dependendo da época, e pelo tempo, até considera uma paixão.
“Gosto do que faço”, respondeu numa voz tímida a mamã solteira, afirmando que a informalidade não é o único desafio enfrentado por elas no dia-a-dia.
“É preciso ter muita disposição, determinação e vontade de vencer. É com esse dinheiro que consigo dar de comer aos meus filhos. Só tem faltado, às vezes, dinheiro para as propinas”, disse.
Desde jovem que a tia Maria (nome mais conhecido) exerce a função de zungueira por “necessidade de trabalhar e a falta de oportunidades” e nas principais ruas da cidade ela busca a subsistência levando rotinas cansativas, com extensas jornadas de trabalho diário.
“Mas eu tenho orgulho no que faço. Nunca precisei roubar para sustentar os meus filhos e enquanto tiver forças vou continuar a vender”, afirmou.
João Capapa, de 26 anos, conta que mesmo com esse aumento nos preços, o movimento é mais intenso no natal, mas em comparação com os outros anos a população tem
ganho mais o dinheiro.
“Minha família encontra-se em Benguela, e tenho de fechar pelo menos kz 100 mil para poder passar as festas com eles, mas este ano está difícil. Antigamente, chegava a fazer 20 mil por dia, na venda de brinquedos, hoje não faço nem 10 mil”, disse.
Mas o natal ainda é o melhor período para as vendas”, ressalta o vendedor que permanece diariamente nas ruas das 8h00 às 20. “Gosto muito do que faço porque as ruas também rendem muitas amizades, mas o Governo tem que arranjar mais opções para os jovens escolherem o que fazer”, disse.

Peso da economia informal

Num workshop realizado recentemente, em Luanda, para diagnosticar a economia informal em Angola, falou-se o peso da actividade informal na economia nacional, que é significativo e tem implicações, não só no controlo e monitorização da economia, como também na receita fiscal.
 A economia informal é determinante para um universo considerável dos concidadãos, justificando que o Estado implemente iniciativas que estimulem a transição desta economia de subsistência e familiar para modelos de economia formal, de forma a aumentar os índices de rendimento das famílias nestas condições, e, com eles, melhorar a qualidade da saúde, da educação e o nível de vida em geral.
Sem mensurar em percentagem, o peso da economia informal no PIB nacional o estudo elaborado pela consultora CESO  concebe a Estratégia de Transição da Economia Informal à Formal em Angola.
Constitui igualmente preocupação do Estado em proceder urgentemente à transição da economia de subsistência e familiar para modelos de economia formal para permitir que os  trabalhadores em regime informal estejam cobertos pela legislação laboral nacional e automaticamente usufruirem da segurança social e à instabilidade salarial vigente.