Desde 2010, ou seja, quase desde o início da crise económica global, a riqueza dos bilionários cresceu 13 por cento ao ano, segundo um relatório da Oxfam apresentado por ocasião do encontro de Davos.
Cerca de 82 por cento da riqueza global gerada em 2017 foi parar ao bolso do 1 por cento da população mais abastada. Ao mesmo tempo, metade da população mundial não viu as suas condições de vida melhorarem. Mas, desde 2010, período em que se dá o início da crise económica global, a riqueza dos bilionários cresceu 13 por cento ao ano, seis vezes mais do que o aumento no salário médio dos trabalhadores.
A ONG britânica alerta para o perigo que as desigualdades comportam, sobretudo porque são terreno fértil para o avanço dos extremismos, passando pelo agravamento dos nacionalismos.
“Estou aqui para dizer às grandes empresas e aos políticos que esta situação não é normal, e que são as suas acções que provocam tudo isto. Só eles podem reverter as coisas. Estamos fartos de ouvi-los dizer que se preocupam com as desigualdades e depois nada fazerem em relação a isso. Queremos acções concretas agora”, declarou Winnie Byanyima, directora executiva da Oxfam Internacional.
O relatório chamado “Recompensar o trabalho, não a riqueza” não expõe só os problemas, propõe soluções, limitar os dividendos recebidos por accionistas e directores de empresas, implementar salários mínimos condignos, apertar o combate à evasão fiscal, eliminar a diferença salarial entre homens e mulheres. Aliás, em cada 10 novos bilionários que aparecem, apenas um é do sexo feminino.
A Oxfam resume as coisas assim, há um “boom” de bilionários no mundo e isso deve fazer-nos assumir o fracasso do sistema económico actual.