Com um PIB (Produto Interno Bruto) em torno dos 366,1 mil milhões de dólares, a África do Sul possui a economia mais desenvolvida do continente, já que, sozinha, representa 25 por cento do PIB de África. Em 2018, a África do Sul ficou na posição 33, no ranking económico mundial, em termos de volume do PIB. Nos últimos anos, o país recebeu uma confortável quantidade de investimentos de capitais externos. Mas ,tal merecimento não impediu que a economia entrasse em recessão no ano passado, pela primeira vez desde 2009, após dois trimestres sucessivos de contracção. Dados oficiais mostram que a economia sofreu um recuo de 0,7 por cento no I semestre de 2018, após uma contracção de 2,6 no primeiro trimestre. A conjuntura desfavorável resultou essencialmente do mau desempenho do sector agrícola, que, comparativamente aos três primeiros meses do ano, registou uma queda de 29,2 por cento, um factor também influenciado pelo fraco desempenho dos sectores do Comércio e Transportes. Os três sectores afiguram 1,5% do PIB. Ainda assim, não são estes dados que representam o maior revés na economia sul-africana. Os actos xenófobos promovidos há dias contra os estrangeiros africanos residentes no território, estão a construir um cenário económico que os próprios nacionais pouco imaginam o rumo ou, acima disso, ainda menos interessa saber. O principal postal da África do Sul, Joanesburgo, está a ficar às moscas dia após dia, logo à entrada no Aeroporto Internacional Oliver Tambo, hoje ainda dos mais movimentados da África Austral. Passar por Joanesburgo à hora de ponta, é dos primeiros sinais de descalabro que deve conhecer a principal economia do continente. Em todos os sectores de negócios do aeroporto, é fácil ver a retracção a que estão votados os estrangeiros, ou, na melhor das hipóteses, o desprezo que estes oferecem aos diversos serviços disponíveis.

Africanos abandonam
No placar electrónico, maior parte dos voos são todos destinados para a África, sendo bom número destes para a evacuação de estrangeiros, muitos dos quais que tinham a África do Sul como um excelente “el dourado” fora da América ou da Europa.
Quem conheceu o aeroporto antes dos recentes ataques xenófobos que assolaram o país, ainda com resquícios nos principais focos, como Joanesburgo, Pretória e Durban, sabe bem que era difícil divisar, em pleno meio dia, ou mesmo entre as 6 e 20 horas, os reais limites das diversas áreas de embarque do Oliver Tambo, já que o movimento acentuado dos viajantes era o principal obstáculo.
Ver hoje o aeroporto de Joanesburgo, um passageiro consegue facilmente perceber os carris por que caminha a terra do “inconsolável” Nelson Mandela. Daí que se pode já aferir que restabelecer a confiança e o bom convívio entre sul-africanos e as comunidades dos demais estados africanos venha a ser o mesmo que procurar uma agulha perdida na areia.
O território sul-africano é ocupado 79% por negros, 9,6% por brancos, enquanto os mestiços representam 8,8% da população e os asiáticos, na sua maioria indianos, 2,6%. Apesar de serem duas, as línguas oficiais do país (o inglês é falado por apenas 8% da população e o africânder por 14%), a maioria dos nacionais se expressa nas próprias línguas nativas: zulu (22%), xhosa (17%), suázi (2,00%), ndebele (1,00%), sotho meridional (7,00%), sotho setentrional (9,00%), tsonga (4,00%), tswana (8,00%) e venda (2,00%).

Analistas e o futuro do país
Actulmente, já se pode divisar aquilo que muitos economistas previram em 2018 para a África do Sul: restrições vinculativas de um mercado de trabalho fraco, fornecimento instável de electricidade e incerteza. A persistência de um hiato negativo da inflação (4,5% em Junho de 2019), é outra componente que deve pressionar a manutenção da taxa de juros.
Nos últimos anos, empresas e investidores estrangeiros procuravam reformas reais na industrializada económica africana. Mas, os riscos provocados pelas acções xenófobas continuarão a inibir o investimento, além de outros visíveis riscos negativos para o rand (a moeda local) e para a previsão de crescimento para 2019, de 1,4%.
Os principais sectores económicos sul-africanos se resumem na indústria, mineração, turismo e finanças. A queda do turismo é, inicialmente, o primeiro dado a ser referenciado logo que forem conhecidos os indicadores deste ano.
Em 2018, a força de trabalho total foi estimada em 22,9 milhões de pessoas activas, mas com uma taxa de desemprego de 29%, em Junho de 2019, do total de 54,2 milhões de habitantes que o país tem (dados de 2016). Em 2018, a dívida pública fixou-se nos 50,9% do PIB, os investimentos em 19,2% do PIB e as reservas monetárias foram contadas em 116,5 mil milhões de dólares, no final de 2017, no mesmo período em que o saldo da balança comercial mostrou-se com um défice de 1,97 mil milhões de dólares (exportações 78,25 mil milhões e importações 80,22 mil milhões).