O crescimento na África Subsaariana permaneceu lento ao longo do ano em curso, dificultado pela incerteza persistente na economia global e pelo ritmo lento das reformas internas, de acordo com a 20ª edição do Africa’s Pulse, do Banco Mundial (BM), que esta quarta-feira fez a sua última actualização económica semestral para a região.
O crescimento geral na África Subsaariana deve aumentar 0,1 ponto percentual, saindo de 2,5%, em 2018, para 2,6%, este ano, uma caída de 0,2 pontos percentuais em relação a previsão de Abril. Os indicadores são influenciados pela fraca recuperação das três maiores economias da região (África do Sul, Angola e Nigéria).
Na vídeo-conferência com os países da região, quarta-feira, Albert Zeufack, economista e chefe da região de África do Banco Mundial sublinhou que na África do Sul o baixo sentimento para o investimento está a pesar sobre a actividade económica, enquanto em Angola o sector petrolífero mantém-se fraco, com perspectivas menos animadoras para a economia. Na Nigéria, o crescimento do sector não petrolífero também influencia, de forma negativa, no lento desempenho da economia do país.

Crescimento robusto
Excluindo os três países, o crescimento no resto da região deve manter-se robusto, embora mais lento em alguns. Na realidade, a incerteza global está a cobrar um preço maior que o esperado nas economias do continente e as reformas domésticas continuam a ser um desafio para se alcançar todo o potencial de crescimento.
Albert Zeufack comentou que “as economias africanas não estão imunes ao que acontece no resto do mundo e isto reflecte-se nas moderadas taxas de crescimento em toda a região, ao mesmo tempo que a evidencia liga claramente a má governação ao fraco desempenho do crescimento, pelo que, ter instituições eficientes e transparentes deve estar na lista de prioridades dos decisores políticos e dos cidadãos africanos”.
“O empoderamento das mulheres é o caminho certo para impulsionar o crescimento”, disse Hafez Ghanem, vice-presidente do BM para África, na mesma altura que admitiu que “os decisores políticos africanos enfrentam uma importante escolha: manter tudo como está ou dar passos deliberados para uma economia mais inclusiva”.
Para Hafez Ghanem, “após vários anos de crescimento mais lento do que o esperado, é ainda mais claro que fechar a lacuna de oportunidades para os pobres e para as mulheres é o melhor caminho a seguir”.
Esta 20ª edição do Africa’s Pulse analisa, mais de perto, a lacuna de oportunidades, especialmente para os pobres e mulheres, com duas secções de tópicos especiais dedicadas à passos a serem dados.