Durante os três primeiros meses de 2017, o crescimento sul-africano ficou minado por fracas performances na produção eléctrica, de menos 4,8 por cento, da manufactura (menos 3,7 por cento) e pelo recuo do sector terciário (menos dois por cento). Apenas os sectores mineiros, com 12,8 por cento, e agrícolas, com 22,2 por cento, retomam de forma robusta, depois do difícil período de 2016.
“É uma surpresa, não sabia que a economia estava assim tão mal, quando as previsões haviam antecipado um aumento de 0,9 por cento do PIB no I trimestre”, comentou à AFP o economista Alan Hirsch, que lamentou pelo facto acontecer num momento em que a economia mundial começa a crescer e que o Brasil
acaba de sair da recessão.
Entre 2008-2009, durante a profunda crise financeira mundial, a África do Sul conheceu já três trimestres consecutivos de recessão, aquela que foi a primeira, depois do fim do regime do apartheid, em 1994. Durante vários anos, a África do Sul apresentava um crescimento sofrível, mas, a cada momento, conseguiu escapar da recessão.
O secretário-geral do ANC, partido no poder, Gwede Mantashe, considera que o impacto imediato afecta Botswana, Lesotho, Namíbia e Suazilândia que têm paridade monetária e partilham rendimentos aduaneiros com a África do Sul.
Mantashe diz que os rendimentos partilhados estão a baixar por causa do atrofiamento da actividade económica de produção de bens, serviços e da sua procura por consumidores.
Ao falar com jornalistas estrangeiros em Sandton, o secretário-geral do ANC analisou vários assuntos basicamente dominados pela tensão política interna, seu impacto na economia e no futuro do partido no poder e da África do Sul em geral.
Para o ANC, a recessão foi provocada por vários factores externos à economia, global e internos, que incluem a questão da liderança do Presidente Jacob Zuma, acusado de ser muito influenciado pela família milionária Gupta, de origem indiana e de corrupção generalizada.
Mantashe afirmou que o ANC, como marca política nacional e internacional, sofreu enormes danos, tais como a perda do controlo das cidades de Pretória e de Joanesburgo nas recentes eleições municipais.
O ANC, defendeu Gwede Mantashe, quer uma investigação judicial às alegações da captura do Estado e da corrupção generalizada para clarificar o assunto o mais cedo possível.
Gwede Mantashe revelou que as candidaturas para substituir o Presidente Jacob Zuma na liderança do ANC vão ser anunciadas em Setembro próximo.
Para Mantashe, as pessoas que anunciaram Cyril Ramaphosa e Nkosazana Zuma como seus candidatos cometeram indisciplina.
O Presidente Zuma endossou publicamente o nome da sua antiga esposa Nkosazana Dlamini, facto que embaraça o secretário-geral do ANC.
Gwede Mantashe considera que na cultura africana não existe antiga esposa, então Jacob Zuma endossou a sua mulher para lhe substituir no comando do ANC depois do Congresso do partido marcado para Dezembro.