O mundo enfrenta uma crise invisível de qualidade da água que está a eliminar um terço do potencial de crescimento económico em áreas fortemente poluídas e a ameaçar o bem-estar humano e ambiental, indica um relatório do Banco Mundial publicado terça-feira, 20.
A crise invisível da água mostra, com dados e métodos novos, que forma uma combinação de bactérias, esgotos, produtos químicos e plásticos pode sugar o oxigénio de fontes de água, e transformar a água em veneno para
as pessoas e os ecossistemas.
Para esclarecer essa questão, o Banco Mundial reuniu as maiores bases de dados do mundo sobre qualidade da água recolhidas por estações de monitorização, tecnologia de detecção remota emachine learning. O relatório conclui que a falta de água potável limita o crescimento económico em um terço e requer uma atenção imediata a nível global, nacional e local, para os perigos que defrontam tanto os países desenvolvidos como os países em desenvolvimento.
“A deterioração da qualidade da água está a impedir o crescimento económico, piorar as condições de saúde, reduzir a produção de alimentos e exacerbar a pobreza em muitos países” disse o presidente do Grupo Banco Mundial, David Malpass. Acrescenta que “os governos desses países têm de tomar medidas urgentes, para ajudar a resolver o problema da poluição da água, para que os países possam crescer mais rapidamente, de forma equitativa e sustentável sob o ponto de vista ambiental”.
Quando a Carência Bioquímica de Oxigénio (uma medida da quantidade de poluição orgânica presente na água e uma medida indicativa da qualidade geral da água) ultrapassa um certo limiar, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em regiões a jusante cai quase um terço por causa dos impactos na saúde, na agricultura e nos ecossistemas.
Um factor-chave para a má qualidade da água é o nitrogénio que, aplicado como fertilizante na agricultura, entra nos rios, lagos e oceanos, onde se transforma em nitratos. A exposição precoce de crianças aos nitratos afecta o seu crescimento e o desenvolvimento do cérebro, impactando a sua saúde e os seus potenciais rendimentos na idade adulta.
O escoamento e a descarga na água de cada quilograma adicional de fertilizante azotado por hectare, pode aumentar o nível de raquitismo infantil em até 19 por cento e reduzir o futuro rendimento na idade adulta em até 2,0 por cento, comparativamente àqueles
que não foram expostos.
O relatório conclui ainda que com o aumento da salinidade da água e do solo, devido a secas mais intensas, tempestades e uma crescente extracção de água, a produtividade agrícola baixa. Todos os anos perdem-se alimentos, devido à salinidade da água, que são capazes de alimentar 170 milhões de pessoas.
O relatório recomenda um conjunto de medidas que os países podem adoptar, para melhorar a qualidade da água, como políticas e padrões ambientais, monitorização exacta das cargas poluentes, sistemas de execução eficazes, infra-estrutura de tratamento da água apoiada por incentivos ao investimento privado e divulgação de informações fiáveis e correctas aos agregados familiares, para inspirar o envolvimento dos cidadãos.