O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, voltou a alertar para a “perigosa fractura” que ameaça a economia global.
Falando na passada segunda-feira, no encerramento da da 35ª conferência bianual da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que reuniu durante três dias na capital tailandesa, as lideranças da região Ásia-Pacífico, o responsável pediu aos líderes mundiais a discutirem a importância das trocas comerciais. “Temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para evitar esta grande fractura e manter o sistema universal, uma economia universal com respeito universal pelo direito internacional”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas. Defende um mundo multipolar com instituições multilaterais fortes. “Acredito firmemente que as nações da ASEAN estão bem posicionadas para desempenhar um papel fundamental na solução desta questão”, augura. A assinatura do tratado foi adiada para 2020, mas a ausência de Donald Trump, que enviou apenas o secretário do Comércio, Wilbur Ross, acompanhado do assessor para a Segurança Nacional da Casa Branca, Robert O’Brien — suscita receios sobre a hegemonia da China na região.

Brexit sem acordo pode custar usd 16 biliões ao Reino Unido

A ONU estima que uma saída da Grã-Bretanha da União Europeia sem um acordo custaria pelo menos 16 biliões de dólares em comércio com o bloco, e provavelmente muito mais após serem contabilizados os efeitos  indirectos e outros mercados. A estimativa consta em um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento ( UNCTAD) que prevê perdas de cerca de 7 por cento  em relação às actuais exportações globais do Reino Unido para a UE. Estes valores incluem uma estimativa de usd 5 biliões em exportações de veículos a motor,  2 biliões em produtos de origem animal e outros  2 biliões em vestuário e têxteis. Para a Unctad, esse total ainda é modesto e somente leva em consideração um aumento das tarifas da UE de zero para a taxa básica de “nação mais favorecida”, que é oferecida aos países sem acordos preferenciais com o bloco. A agência da ONU destaca que essas perdas seriam muito maiores por causa de medidas não-tarifárias, das medidas de controlo de fronteira e da interrupção das redes de produção existentes entre o Reino Unido e o bloco europeu. Para a Unctad, 20 por cento das exportações da Grã-Bretanha correm o risco de sofrer com tarifas mais altas em mercados como Turquia, África do Sul, Canadá e México. Estes países têm acordos comerciais preferenciais com a UE, mas ainda não concordaram em aplicar esses
benefícios aos britânicos.

Alimentos
O documento destaca que se a Grã-Bretanha não conseguir fechar esses acordos antes de sair da UE, perderia mais
usd 2 biliões em exportações.  A razão seria o aumento de taxas para automóveis, alimentos processados, roupas e têxteis, com uma perda de 750 milhões em exportações de veículos. Como membro da União Europeia, o Reino Unido faz parte de cerca de 40 acordos comerciais que asseguram  um acesso preferencial a um  mercado em cerca de 70 países. Além da questão dos actuais acordos da UE, a Unctad aponta como outra razão de preocupação para os exportadores do Reino Unido os actuais pactos comerciais que vêm sendo negociados entre o bloco europeu e outras nações. A UE celebra acordos comerciais com importantes parceiros, como o Vietname e os países do Mercado Comum do Sul, Mercosul, integrado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Se estes acordos forem implementados nesses mercados sem que haja pactos equivalentes com o Reino Unido, a competitividade das empresas britânicas poderá ser prejudicada em relação às concorrentes do bloco europeu.

Disputa entre EUA e China trava crescimento

As tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e China estão a prejudicar a economia dos dois países, afirma um novo estudo da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Desde meados de 2018, as duas partes estão envolvidas em uma disputa comercial com várias rondas de tarifas retaliatórias. Segundo nova pesquisa, as importações dos produtos sujeitos a tarifas  caíram mais de 25 por cento. A pesquisa afirma que a situação “provocou uma queda acentuada no comércio bilateral, preços mais altos para consumidores e desvio comercial, com um aumento das importações de países não envolvidos.” Nos Estados Unidos, os efeitos são, sobretudo, sentidos pelos consumidores, que pagam preços mais altos. Na China, as perdas afectam mais as empresas, com perdas nas exportações. Segundo o estudo, enquanto a China e os Estados Unidos perdem biliões na disputa comercial, algumas economias estão a ganhar, incluindo Taiwan, México, União Europeia e Vietname.

Dificuldades
Na China, os sectores mais afectados pela redução das exportações foram maquinaria e equipamento de escritório, com uma redução total usd 15 biliões nos  primeiros seis meses de 2019. Perdas também foram notadas em sectores como têxteis e vestuário, instrumentos de precisão, equipamento de transporte, sector agro-alimentar, metais, mobiliário  e produtos químicos. Perdas também foram notadas em sectores como têxteis e vestuário, instrumentos de precisão, equipamento de transporte, sector agro-alimentar, metais, mobiliário e produtos químicos.

Tensões EUA-China

Em Outubro, durante as reuniões anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, o secretário-geral, António Guterres, lançara um alerta à comunidade económica internacional para evitar o que ele chama de uma possível “fractura global” causada por “tempos de tensão e testes”, especialmente entre a relação comercial da China com os Estados Unidos. No seu discurso, António Guterres disse “temer a possibilidade de uma grande fractura entre as duas maiores economias dividindo o mundo em dois, cada um com sua moeda dominante, regras comerciais e financeiras, sua própria capacidade de internet e inteligência artificial e suas próprias estratégias geopolíticas e militares em que todos perdem”. Durante o evento, em Washington, o responsável afirmou que é preciso “fazer todo o possível” para evitar essa divisão. Para Guterres, é preciso “manter uma economia universal respeitando o direito internacional e um mundo multipolar com fortes instituições multilaterais, como o Banco Mundial e o FMI.” Por sua vez, a nova diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, tinha também destacado que, uma “guerra comercial” entre os dois países ameaça os ganhos da economia global. Segundo ela, no próximo ano, isso pode fazer com que o Produto Interno Bruto, (PIB), global diminua a um valor “equivalente a toda a economia da Suíça”.