O Programa de Desenvolvimento de Infra-estruturas de África (PIDA) que é um instrumento importante de planificação e aplicação da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD), continua a necessitar de 68 mil milhões de dólares para a sua concretização.
“É importante promovermos cada vez mais o investimento para realizarmos as nossas ambições do Pida ”, declarou Macky Sall na abertura da segunda edição da Assembleia dos Accionistas de África50.
Considerou que os africanos devem “agir rapidamente” para atingirem os seus objectivos no domínio das infra-estruturas, salientando a realização de programas prioritários no quadro do Pida. Na sua óptica, o Pida tem projectos cuja execução necessita de cerca de 130 milhões de dólares anualmente.
Para o Chefe de Estado senegalês, a iniciativa Africa50 como um instrumento inovador para atrair investidores privados para  infra-estruturas em África e uma “alavanca essencial para suprir o nosso défice em termos de infra-estruturas e acompanhar a nova dinâmica do crescimento do nosso continente”. O Presidente senegalês apelou aos países africanos para continuarem as reformas institucionais destinadas a melhorar o clima de negócios, garantir o desenvolvimento dos mercados de capitais e instaurar instrumentos adaptados aos financiamentos de projectos visados.
 Macky Sall afirmou que o Pida identificou, de 2012 a 2020, cerca de 51 projectos a realizar no continente para um custo de 68 biliões de dólares. O Presidente Sall afirmou que o Senegal consagra perto de 64 por cento dos recursos previstos no seu programa trienal de investimentos para o período 2017-2019 ao reforço das infra-estruturas socioeconómicas.
O presidente defendeu igualmente o reforço da parceria entre Africa50 e o sector privado africano, convidando este último a investir em África.
O Pida, de iniciativa continental, baseada nos projectos e programas regionais, vai ajudar a resolver o défice de infra-estruturas, que dificulta gravemente  a competitividade de
África no mercado mundial.
O planeamento estratégico complexo e a longo prazo do Pida para as infra-estruturas regionais de África (2012–40) tem sido conduzido sob a coordenação  da  Comissão da União Africana, da  Comissão Económica das Nações  Unidas para África, do Banco Africano de Desenvolvimento e a Agência de Coordenação e Planeamento NEPAD em colaboração com todas as partes  interessadas africanas.
Com o programa, espera-se que a África consiga poupanças nos custos de produção de electricidade de 30 mil milhões de dólares por ano, ou 850 mil milhões de dólares até 2040. O acesso à energia vai aumentar de 39 em 2009 para quase 70 por cento em 2040, facultando o acesso a mais 800 milhões de pessoas.
Cortar nos custos de   transporte   e   impulsionar  o  comércio  intra-africano é outras das metas, quando se prevêem ganhos  na  eficiência  de  transportes  de,  pelo menos, 172 mil milhões de dólares na Rede de Integração  de  Transportes  Regionais  Africanos  (ARTIN),  com  o  potencial  para  poupanças  muito  maiores  com  os  corredores comerciais abertos. Avanços firmes na integração  e  serviços  regionais  vão  finalmente criar uma mudança do comércio marítimo para o comércio entre países e dentro e pelas regiões, ajudando a cumprir a promessa do Mercado Comum Africano 2028.
O programa prevê ainda assegurar  a  segurança  de  abastecimento de água e alimentar. África tem a capacidade de armazenamento de água e  de  agricultura  irrigada  mais  baixas  no  mundo, e cerca de metade do continente enfrenta  algum  tipo  de  falta  ou  escassez  de água — e a procura vai aumentar Para lidar com a crise que se avizinha, o PIDA vai  possibilitar  as  infra-estruturas  de  armazenamento de água necessárias para a produção e comércio alimentar.
Entretanto, em relação à   conectividade  global, o PIDA vai impulsionar a ligação em banda larga em 20 pontos percentuais, aumentar a penetração da banda larga em 10 por cento (valor que pode ser esperado em 2018) e elevar o PIB em um por cento ao reforçar as ligações entre bens e mercados e entre pessoas e empregos.
O comércio e a competitividade não são as únicas considerações no planeamento do futuro das infra-estruturas de África. Sem investir em si mesma, África não ficará em posição de gerar os empregos que a sua população em crescimento vai precisar. Em 2010, África tinha 51 cidades com mais de um milhão de residentes e 2 (Cairo e  Lagos)  com  mais  de  10  milhões.  Em  2040,  espera-se ter mais de 100 cidades com mais de um milhão de residentes e pelo menos sete a superarem os 10 milhões. Implícita nesta previsão de população crescente encontra-se o número cada vez  maior  de  mão-de-obra  de  África.  O  continente está preparado como um reservatório de mão-de-obra para o crescimento económico de África e da economia mundial — e com o PIDA a fornecer a base de infra-estruturas, África terá um poderoso veículo para o crescimento forte, partilhado e sustentável.