O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que esteve esta quinta-feira, 5, em São Paulo (Brasil), está a cobrar 400 mil dólares norte-americanos para dar palestras em bancos e centros comerciais, de acordo com a agência Bloomberg.
Segundo a reportagem, são clientes como Northern Trust de Chicago, Carlyle Group e Cantor Fitzgerald. A reportagem informa ainda, que um desses clientes, o Northern Trust, emprestou cerca de 1,32 milhão em 2005 para o ex-presidente americano.
O pagamento de Obama é quase o dobro do recebido pela ex-secretária de Estado e candidata democrata à Presidência Hillary Clinton, que deu três palestras ao banco de investimentos Goldman Sachs por 225 mil dólares em 2015.
Durante seus dois governos, Obama pareceu entrar em conflito com o sector financeiro. Ele criticava os enormes salários de executivos de bancos e dizia que Wall Street tinha culpa pela crise financeira de 2008.
O acordo com o banco de investimentos vem dois meses após a editora Penguin Random House fechar um acordo de 65 milhões de dólares com o ex-presidente e sua mulher, Michelle, para a publicação de dois livros sobre a vida de cada um.
Já no Brasil, Barack Obama foi um dos palestrantes do fórum Cidadão Global. O ex-presidente dirigiu-se aos líderes empresariais abordando a importância da construção de uma cidadania global, naquela que foi a sua primeira visita ao país depois de deixar a Casa Branca. Os ingressos para o evento, organizado pelo Valor Económico, maior jornal de economia e finanças do Brasil, com o Banco Santander e a AAdvantage, esgotaram já algumas semanas antes do evento, segundo apurou o JE. Os preços variaram de acordo com a área; por exemplo, a Plateia VIP teve de pagar 7,5 mil reais, qualquer coisa como 2.300 dólares norte-americanos, enquanto a plateia normal desembolsou dois mil reais, o equivalente a pelo menos 632 dólares. Durante a venda de ingressos para o evento, foram ainda privilegiados os clientes mais importantes do banco Santander, como empresários.
Entretanto, a plateia de Obama anda a pagar a volta desse valor para o ouvir. Por exemplo, quem assistiu ao discurso do ex-presidente dos EUA, no dia 9 de Maio, durante o Global Food Innovation pagou 850 euros.
O certo é que a moda de discutir sobre os lucros dos ex-presidentes foi inaugurada por Gerald Ford (o primeiro a facturar bastante com conferências e a entrar em conselhos de administração) e se manteve com muitos outros, como Bush e Clinton , comenta-se que o valor deste último girava em torno de 200 mil dólares e o de Bush oscilava entre os 100 e os 200 mil
ao deixarem a Casa Branca.
Contudo, os presidentes dos EUA têm a vida tranquila assegurada quando deixam o cargo: recebem uma generosa pensão vitalícia (actualmente, de 207.000 dólares anuais ) estabelecida nos anos cinquenta, depois que Harry Truman saiu da Casa Branca com uma pensão mensal de 112 dólares do Exército como única fonte de renda.