O Banco de Portugal anunciou hoje que o resultado líquido do exercício de 2012 cresceu mais de 14 vezes, face ao ano anterior, para 449 milhões de euros. Cerca de 80 por cento desse valor - 359 milhões do euros -, reverte para o Estado na forma de dividendos.

"No aumento do resultado do período de 2012 destacam-se, como principais impactos, o aumento da margem de juros, dos resultados realizados em operações financeiras, do resultado líquido da repartição de rendimentos monetários, assim como o aumento derivado da redução no reforço da provisão para riscos gerais, em face da ponderação dos diversos factores inerentes à avaliação de riscos do Banco", lê-se no relatório do conselho de administração hoje divulgado.

A margem de juros atingiu os 803 milhões de euros, enquanto os resultados de operações financeiras cresceram para 91 milhões depois das perdas registadas em 2011.

Resultados

O Banco de Portugal vai entregar ao Estado mais de 359,3 milhões de euros em dividendos relativos ao exercício de 2012.

O organismo registou no ano passado um lucro de 449,1 milhões.

Segundo o relatório do conselho de administração, que hoje foi divulgado, 10 por cento dos resultados destinam-se a reserva legal e mais 10 por cento a outras reservas.

Comissão parlamentar

A comissão parlamentar de Orçamento e Finanças deverá votar já amanhã as alterações à lei da recapitalização da banca. Entre as principais alterações está a possibilidade da recapitalização compulsiva com dinheiros públicos. O objectivo é garantir que, em "situações limite", se salvaguarda a estabilidade do sector bancário. Seguir-se-á a aprovação em plenário e, no final, a publicação em Diário da República, para que possa entrar em vigor.

O Banco de Portugal (BdP) propôs em Fevereiro ao Parlamento que este reforço de capitais obrigatório pudesse ser imposto pelo regulador sem que fosse necessária a nomeação prévia de uma administração provisória. A designação de uma gestão temporária ocorre normalmente quando um banco é intervencionado pelo BdP.