Uma outra área onde a economia ruandesa pretende dar sinais de vitalidade é a banca e finanças. “Nós dizemos e estamos em condições de servir toda a região e outros países do continente”, declarou ao norte-americano Washington Post, Paul Kukubo, director da bolsa de valores do Ruanda, cujo arranque das operações e transacções ocorreu em 2011, socorrendo-se de alguns quadros do país, formados no estrangeiro, que se encontravam dispersos pelos Estados Unidos e Europa.

Esta realidade do Ruanda não é indiferente aos seus vizinhos da sub-região oriental. Quem vê a sua hegemonia fortemente comprometida é o Quénia que possui um sector de “start up” muito forte. Nairobi abriga escritórios regionais de gigantes como a Google ou mesmo a Microsoft devido ao seu grande mercado de consumo.

Apesar disso, é para Kigali que muitos começam a apontar as suas baterias devido às facilidades de circulação bem como a mobilidade fluida dentro da cidade que contrasta com Nairobi. Não obstante isso, Kigali dispõe de uma grande infra-estrutura de telecomunicações, como os seus 1.600 quilómetros de cabos de fibra-óptica e no ano passado o Governo de Paul Kagame assinou um contrato para a construção da sua rede 4G que terá uma cobertura sobre 95 por cento do território.

Segundo análises do The Economist, as ambições do Ruanda, nesta matéria, são claras: tornar-se no centro multimédia da comunidade de Estados da África oriental com os seus 135 milhões de habitantes.

A situação torna-se ainda mais vantajosa para os investidores no Ruanda, comparativamente aos seus vizinhos regionais, devido as reformas institucionais em curso. Presentemente, o Banco Mundial considera que no Ruanda é mais fácil abrir uma empresa. É mais fácil, em comparação, que nos Estados Unidos da América. Em termos de ambiente de negócios, o Ruanda é hoje de confiança, classificando-se em 32° lugar, entre 189 países. Uma sociedade comercial ocorre em apenas um dia e custa o equivalente a 40 dólares norte-americanos.

Liderança visionária
Todas as reformas estruturais que produzem agora um impacto real na qualidade de vida dos ruandeses, 20 anos após o genocídio que vitimou cerca de 800 mil tutsis, foram protagonizadas principalmente sob a liderança de Paul Kagame, 56 anos de idade, o Presidente ruandês.

Um livro editado nos Estados Unidos da América, em 2012, escrito por Patricia Crisafulli e Andrea Redmond é um retrato perfeito do que se passa hoje na sede de Kigali. Em “Ruanda Inc”, o “milagre ruandês”, internamente, explica-se por dois factores: governação exemplar e liderança visionária.

Fruto da sua influência anglo-saxónica, mesmo que tradicionalmente a colonização foi franco-belga, Kagame é descrito como um homem bastante pragmático e muito focalizado nos seus objectivos. Talvez por isso seja acusado de estar por detrás da eliminação de alguns dos seus adversários.

Ainda assim, o Ruanda vive alguns desafios. Um deles é o demográfico uma vez que o pais apresenta uma das taxas de densidade populacional mais elevadas do continente: 400 habitantes por quilómetro quadrado. Kagame responde: “Este é mesmo um grande desafio e uma formidável oportunidade. Se, em quinze anos, a curva de crescimento da nossa população passou de 10 para 3% por ano, não se deveu a qualquer coerção, mas à combinação entre pedagogia e persuasão. A mensagem é simples – adaptai o tamanho da vossa família aos vossos recursos, não façais crianças que não possais sustentar, educar”.