O ano de 2017 foi bom para a economia mundial, com um crescimento em torno de 3,7 por cento. As previsões de actividade foram revisadas para cima à medida que o ano avançava, especialmente na Europa. Além disso, os dados positivos foram generalizados, como demonstra o facto de que apenas 6 por cento das economias fecharam o ano em recessão, enquanto 72 por cento dos países cresceram acima dos 2, segundo dados do Deutsche Asset Management. No Brasil, a actividade económica também saiu do vermelho e o produto interno bruto (PIB) cresce há três trimestres consecutivos. A estimativa de crescimento daquele país da América do Sul para 2018 passou de 2 para 3 por cento. Durante as últimas semanas, os bancos de investimento, brokers e gestores de fundos foram publicando as suas previsões para 2018. A maior parte dos especialistas prevê que será outro bom ano para a economia. É verdade que há grandes nuvens no horizonte, mas até agora os especialistas não acreditam que tragam estrangulamentos.
“Os períodos de alto crescimento económico costumam preparar o terreno para o seu próprio desaparecimento, mas hoje há pouca evidência de uma recessão iminente”, explicou em tempos a Mark Haefele, director de investimentos da UBS Wealth Management. “Historicamente, as recessões foram provocadas por um ou mais dos seguintes factores: limitações de capacidade, choques de preços do petróleo, uma política excessiva de endurecimento monetário, reduções dos gastos públicos ou crises financeiras. Não parece que nenhum desses factores vá se materializar em 2018”, acrescentara Haefele.
A economia mundial deverá demonstrar a partir de agora que é capaz de caminhar sem o apoio dos bancos centrais. O Federal Reserve aumentou cinco vezes os juros nos últimos dois anos e começou a redução dos seus resultados. Da sua parte, o Banco Central Europeu (BCE) previa reduzir a compra de activos à metade e finalizar o programa de incentivos. A normalização das políticas monetárias, desde que seja gradual, deveria ser compensada pelo ressurgimento de outros indicadores económicos. “O crescimento depende a partir de agora em menor medida do apoio dos bancos centrais e ficou mais sincronizado em todo o mundo. Além disso, o consumo está a aumentar na China e nos Estados Unidos, enquanto que na zona do Euro o seu nível se aproxima do nível anterior à crise. Esses aspectos, assim como os investimentos corporativos, a melhoria dos salários e do mercado de trabalho, e o aumento da demanda doméstica devem empurrar progressivamente à alta das economias em todo o mundo”, segundo Michaël Lok, presidente executivo da UBP Asset Management.
O investimento em bens de capital despencou em 2009, porque as empresas esfriaram gastos e planos de expansão. A recuperação do chamado capex foi lenta, mas em 2018 se espera uma alta devido ao crescimento dos rendimentos e ao clima de maior confiança.