A tumultuada saída do Reino Unido da União Europeia também provoca incerteza e pessimismo no Brasil, que no ano passado exportou para o mercado britânico cerca de 3 bilhões de dólares, o equivalente a 11 bilhões de reais.
Para tentar ajudar o empresariado brasileiro a minimizar riscos e aproveitar eventuais oportunidades quando o Brexit se tornar realidade, a Embaixada do Brasil em Londres e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX) lançaram uma plataforma que promete monitorar futuras mudanças tarifárias e logísticas, além de novas exigências alfandegárias e legais.
Os dois órgãos também tentam medir as expectativas dos exportadores e o que chamam de “apetite” dos empresários
brasileiros pelo mercado britânico.
Para isso, enviaram um questionário para cerca de 2 mil empresas no Brasil, a maioria delas com histórico de exportação para o Reino Unido.

Pessimismo
O pessimismo está relacionado a um eventual aumento de custo e da burocracia em negócios com a Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales. Empresários citam temores como a ampliação de gastos com logísticos e alfandegários, maior carga tributária, entraves relacionados às exportações via Europa, exigências de novos certificados e imposição de barreiras tarifárias e não tarifárias.
Estudo realizado pela consultoria alemã Bertelmann Stiftung calculou o impacto do Brexit para diferentes países e identificou que o Brasil pode ter ganhos comerciais de até 1,7 biliões de euros (cerca de 7,3 biliões de reais) a depender do modo pelo qual o Reino Unido deixará o bloco europeu.
Esse montante, segundo o estudo, se refere ao cenário de no-deal (sem acordo). Caso o Reino Unido mantenha a proximidade com o mercado europeu numa espécie de ‘soft Brexit’ (Brexit suave), o Brasil ainda pode obter ganhos de aproximadamente 940 milhões de
euros (cerca de 4 bilhões de reais).
No ano passado, o Brasil exportou quase 5 por cento a mais para o Reino Unido que no ano exterior.
Os britânicos, contudo, estão longe de estar entre os principais parceiros comerciais do Brasil. A maior parte das exportações brasileiras foi de ouro em formas semifacturadas (26), seguido de silício (5,5) e soja (5,25 por cento) respectivamente.
Produtos exportados pelo Brasil como frutas, café, tabaco e madeira recebem tributação, em média, de 6 a 18 por cento
para entrarem no Reino Unido.
Mas a primeira-ministra britânica, Thereza May, já informou que, caso a saída seja sem acordo as tarifas sobre esses produtos seriam reduzidas a zero.