A Comissão Europeia poderá aplicar uma nova multa à Google. Em causa poderá estar o abuso de posição dominante com o seu sistema operativo Android, avançam fontes da agência Efe-Dow Jones, citadas pelo jornal espanhol Expansión. Não é, contudo, a primeira vez que surgem notícias que indicam que a Google vai ser novamente alvo de uma coima por parte de Bruxelas. No início de junho, o Financial Times avançava que a Comissão Europeia deveria multar a Google, outra vez, por práticas anticoncorrenciais. Em causa estava precisamente o sistema operativo Android, através do qual a gigante norte-americana terá exercido uma
posição dominante abusiva.
As fontes citadas pelo jornal espanhol avançam que a multa que a gigante tecnológica enfrenta poderá mesmo superar os 2,4 mil milhões de euros, valor da coima aplicada no ano passado por Bruxelas, de acordo com as mesmas fontes. Em junho, o jornal britânico avançava que o anúncio deste caso deverá ser feito durante o mês de julho. Não era certo qual o valor da multa que poderá ser aplicada à Google, mas a Comissão Europeia pode exigir até 10% da faturação anual da empresa-mãe, a Alphabet – o que significa que pode chegar aos 11 mil milhões de dólares, o equivalente a 9,3 mil milhões de euros. Este valor diz respeito ao ‘pior’ dos cenários, mas por norma as coimas são mais baixas. Além da coima, diz o Expansión, a Comissão Europeia poderá pedir para que a Google faça mudanças na sua política comercial, como medida corretiva, embora não seja claro como é que tal poderia acontecer. Assim, Bruxelas poderá pedir que a gigante da tecnologia faça alterações aos contratos que tem com as fabricantes de smartphones. Apesar do porta-voz da Google não ter comentado o caso, o jornal avança que a tecnológica tem negado as alegações de Bruxelas e argumenta que as fabricantes de smartphones instalam muitos serviços rivais.
A Google vai recorrer da multa de 2,4 mil milhões de euros por abuso de posição tecnológica.
A unidade da Alphabet anunciou a decisão na segunda-feira, mês e meio depois de a Comissão Europeia ter acusado a Google de práticas abusivas, anticoncorrenciais e que distorcem o mercado, adianta a Reuters. As práticas condenadas por Bruxelas dizem respeito à posição dominante do seu serviço de comparação de preços, o Google Shopping, que privilegia os seus serviços de comparação nos seus resultados de pesquisa, de acordo com o documento divulgado por Bruxelas a 27 de junho. “A estratégia do Google para o seu serviço de compras de comparação não era apenas atrair clientes” disse Margrethe Vestager. Em vez disso, avançou, “a Google abusou da dominância do mercado como motor de busca, promovendo o seu próprio serviço de compras de comparação em seus resultados de pesquisa e rebaixando os concorrentes”.