A Comissão Europeia divulgou quarta-feira, 17 de Abril, a lista preliminar de tarifas sobre importações norte-americanas que podem chegar aos 20 mil milhões de dólares. Em causa está o processo que decorre na Organização Mundial do Comércio (OMC) relativa à Boeing, a fabricante norte-americana de aviões, cujos subsídios estatais terão prejudicado a fabricante francesa Airbus. O processo inverso está a decorrer também, tendo os EUA ameaçado com tarifas sobre 11 mil milhões de dólares em importações europeias.
Segundo Bruxelas, a 11 de Abril a OMC aprovou o relatório sobre a disputa da Boeing, confirmando que os subsídios norte-americanos continuam a causar “danos significativos” à Airbus, “incluindo perda de vendas”. Tendo como base esta decisão da OMC, a Comissão decidiu lançar para consulta pública uma lista preliminar de produtos importados que podem vir a ser alvo de tarifas, mas a sua potencial aplicação ainda não será para já.
A lista inclui uma série de bens, nomeadamente aviões, químicos e produtos agrícolas que vão desde o peixe congelado ao ketchup. No total, estas importações norte-americanas podem representar cerca de 20 mil milhões de dólares. Em 2012, a União Europeia já tinha pedido autorização à OMC para compor uma lista de 12 mil milhões de dólares, “equivalente ao dano estimado causado à Airbus pelo apoio dos EUA à Boeing”.
Consoante a decisão da OMC, a UE vai desenhar a lista final, mas o objectivo é evitar de todo, um confronto com os Estados Unidos. “Temos de estar preparados com medidas de retaliação no caso de não haver alternativa, mas eu continuo a acreditar que o diálogo deve prevalecer entre parceiros importantes como a UE e os EUA, incluindo na tarefa de concluir esta disputa duradoura”, argumenta Cecilia Malmström, a comissária europeia para o Comércio, em comunicado.
O conflito começou em 2004 e é recíproco, ou seja, os EUA acusam a UE de ajudar a Airbus com subsídios e a UE acusa os EUA de ajudar a Boeing com subsídios. Neste momento, o processo já está a aproximar-se do fim na OMC, ainda que o caso relativo à Airbus esteja mais adiantado do que o relativo à Boeing.