Cabo Verde acolheu recentemente, na Cidade da Praia, a primeira cimeira sobre a inovação em África. Um evento que reuniu ao longo de três dias cerca de 200 participantes do sector público, privado e universitário oriundos de trinta países do continente.

Na abertura do evento, o primeiro-ministro, José Maria Neves, defendeu a inovação em prol do bem-estar dos africanos. O primeiro-ministro propôs que se convoque uma cimeira de Chefes de Estado e de Governo sobre a inovação em África. Sem precisar a data nem o local em que esse evento poderá vir a acontecer, José Maria Neves entende que será uma oportunidade para aprovar uma agenda de desenvolvimento capaz de catalisar a transformação da África num continente próspero no horizonte de 2050.

Na sua intervenção na cimeira sobre inovação em África, o Chefe do Governo cabo-verdiano entende que só com uma perspectiva integrada e de unidade potenciadora das capacidades e recursos nacionais África poderá transformar-se numa potência económica e fonte de criação e de inovação, “como já fora desde o nascimento da humanidade até pelo menos o séc. XVI”, lembra.

“Inovar para transformar e transformar para o desenvolvimento é a questão que se nos coloca aqui e agora. Transformar, rompendo com o paradigma da gestão da pobreza e do status quo, inovando no paradigma da criação de riqueza de base sustentável e socialmente distribuível para os cidadãos africanos. Temos de ser nós próprios, soberanos e livres, os protagonistas do nosso desenvolvimento”, prossegue no seu discurso José Maria Neves, considerando que para atingirmos tal desiderato temos de construir uma dinâmica económica que acrescente valor.

E transportando isso para Cabo Verde, o Chefe do Governo diz que estão melhor do que há dez anos, embora ainda haja o desafio permanente resultante da “emergência de sermos criativos inovadores e empreendedores”. Neste sentido, mostra os caminhos: articular a educação e o sector de investigação científica com o empresarial e o administrativo para que estes possam criar, inovar, melhorar os seus produtos e serviços e processos.

Uma exposição de exemplos de inovação em África em termos tecnológicos, mas também institucionais e sociais abriu o acontecimento.

A cimeira sobre inovação em África decorreu na capital cabo- -verdiana e contou com a participação de cerca de 250 especialistas de 30 países, além do Presidente do Rwanda, Paul Kagamé e os antigos Chefes de Estado de Cabo Verde, Pedro Pires, e de Moçambique, Joaquim Chissano.

Pedro Pires defende que as lideranças devem mostrar-se inconformadas.

O ex-Presidente cabo-verdiano ,Pedro Pires, defendeu durante uma intervenção na abertura do evento que as novas lideranças africanas devem mostrar-se “inconformadas” perante o desafio da inovação em África, em que as respostas dependem das próprias aspirações dos africanos e da sua visão de futuro.

Discursando na cimeira sobre inovação em África, promovida pela empresa privada cabo-verdiana Ihaba - Building Enterprises, que decorreu na Cidade da Praia, Pedro Pires salientou que, para já, se impõe “apostar a fundo” na educação e investir no ensino superior e na formação em ciências, engenharia e tecnologia.

“Mas, não basta formar. É necessário criar, simultaneamente, as condições que atraiam e fixem os criadores e os empreendedores nacionais. Sabemos que os países africanos se encontram entre os menos dotados em matéria de investigação e desenvolvimento (I&D)”, salientou.

É hora de a África pensar em criar as suas soluções e deixar de importar ideias e paradigmas que nada têm a ver com a sua cultura e as suas necessidades.

Para o administrador da empresa Ihaba que organiza o evento, José Brito, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e antigo embaixador de Cabo Verde nos Estados Unidos, é hora de os africanos deixarem de ir ao supermercado comprar ideias de fora e criarem as suas próprias soluções.

José Brito acredita ser este o caminho e, para o efeito, anuncia a criação de um fundo de investimentos. Questionado se os financiadores externos ao continente não vão impor as suas ideias e soluções, Brito diz que o fundo deve atrair financiadores africanos.

À margem da cimeira, será lançada uma incubadora que visa ajudar os jovens inovadores a implementar as suas ideias empreendedoras.

Exemplos de inovação
A articulação entre a ciência, a tecnologia e a inovação pode permitir a África retomar o seu lugar na história e alterar o actual padrão no quadro da economia mundial, considerou terça-feira na Cidade da Praia o ministro cabo-verdiano do Ensino Superior, Ciência e Inovação, António Correira e Silva.

“Estamos todos absolutamente convencidos da incontornabilidade desse trio para o nosso futuro colectivo e, se assim é, temos então de tirar consequências práticas disto tudo”, sublinhou o governante afirmando que as autoridades cabo-verdianas estão persuadidas desta realidade. Falando na abertura de uma exposição de exemplos de inovação tecnológica, institucional e social em África, iniciada segunda-feira na mesma cidade, o ministro Silva sublinhou que “inovar é cada vez mais a condição de liderança”.

O governante do arquipélago acrescentou que “a legitimidade social de mandar depende agora do perfil inovador de quem exerce o poder, esteja ele no Governo, nas empresas, nas escolas, nos hospitais ou noutras organizações”.

Expositores de diversos países africanos participam neste certame inscrito no âmbito dos eventos que marcam a I cimeira de inovação em África (AIS) cujos trabalhos começaram terça-feira na capital cabo-verdiana. Uma fonte ligada à organização da exposição disse que, com esta montra, se quer mostrar que a inovação também está a acontecer em África, onde alguns países já possuem centros de inovação muito avançados.