O governador do Banco de Cabo Verde (BCV), João Serra, desencorajou o país de aderir à moeda única da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) face aos benefícios que o arquipélago já retira do regime de paridade fixa do escudo cabo-verdiano com o euro, em vigor há 20 anos, noticia a PANA.
João Serra falava aos jornalistas na passada sexta-feira, na Cidade da Praia, depois da abertura da Conferência Internacional comemorativa dos 20 anos da assinatura do Acordo de Cooperação Cambial entre Portugal e Cabo Verde, tendo salientado que o arquipélago “não tem vantagem em alterar o seu regime cambial”.
“Eu acho que tendo Cabo Verde uma moeda credível, que cumpre com as funções fundamentais de uma moeda, reserva de valor, meio de troca, que inspira confiança e permitiu ao país dar o salto que deu, não precisa alterar o seu regime cambial”, precisou.
Argumentou ainda que, tendo em conta as características da economia cabo-verdiana, virada quase que exclusivamente para a Europa, o país não terá também vantagem com a sua adesão à moeda única oeste-africana.
Recordou que “90 por cento dos investimentos externos vem da Europa pelo que Cabo Verde não tem vantagens, pelo menos a curto e médio prazo, em alterar o seu regime cambial, ou seja o peg fixo do escudo face ao euro”, explicou.
Esclareceu também que a “eurorização” da moeda cabo-verdiana, isto é, a substituição do escudo cabo-verdiano pelo euro, é também uma questão
que não está sobre a mesa.
Indicou que, com a aprovação da Lei da Liberalização de movimentos de capitais, a dupla circulação informal deixou de ser um ilícito contraordenacional.

Cooperação cambial
Por sua vez, o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, considera que o Acordo de Cooperação Cambial e a paridade fixa do escudo com o euro “são exemplos de uma âncora que reforçou a credibilidade e a confiança na economia cabo-verdiana”.
O chefe do Governo referiu que tal acordo ajudou também a reforçar a estabilidade macroeconómica do país.
Segundo ele, Cabo Verde pretende atingir, de uma forma ambiciosa, “a quase integração económica” com a União Europeia (UE).
De acordo ainda com ele, esta “quase integração” perspectiva também a cooperação científica e tecnológica e a qualificação de recursos humanos, a gestão de ricos ambientais e de choques externos, cooperação para a paz e segurança e o reforço das relações com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
“O posicionamento do país como uma plataforma de circulação económica no Atlântico Médio só é viável se interligar os mercados africano, europeu, asiático e americano e aproveitando a sua localização e a estabilidade e as vantagens políticas e económicas da CEDEAO”, lembrou.