As perdas de África ligadas à corrupção estão estimadas em 148 mil miliões de dólares americanos por ano, o que representa 25 porcento do Produto Interno.Bruto (PIB) do continente. Esta revelação foi feita recentemente, em Nouakchott, capital da Mauritânia, pela presidente do Conselho Executivo da União Africana (UA), Louise Mushikiwabo, durante a abertura da 33ª sessão ordinária deste
órgão ministerial que dirige. “Podemos imaginar os benefícios incalculáveis para os nossos povos. E se esses montantes fossem recuperados e alocados a programas virados para a boa governação, desenvolvimento económico sustentável, paz e estabilidade do continente?”, interrogou-se a chefe da diplomacia ruandesa. Os cálculos apontam que dos 148 mil milhões, os 54 países que compõem o continente, cada nação perde cerca de 2,7 mil
milhões de dólares/ano.

África Austral
Só na África Austral, por exemplo, em que Angola faz parte, os dados disponibilizados pelo Banco de Desenvolvimento Africano (BDA), sugerem que os países necessitam de aproximadamente 7 mil milhões de dólares anos para o desenvolvimento da região e 70 mil milhões para projectos estruturantes. Isto pressupõe dizer que os 2,7 mil milhões de dólares que Angola perde anualmente serviriam para cobrir parte das despesas correntes. Segundo Louise Mushikiwabo, os números são para responder a esta e outras questões pois a luta contra a corrupção constitui a temática anual da UA e a ser encarada “dentro da mesma visão de eficácia e imputabilidade que caracterizam as medidas de reforma” em curso na organização continental.

Necessidades
Os dados disponibilizados pelo Banco de Desenvolvimento Africano (BDA), só a África Austral necessita de aproximadamente 7 mil milhões de dólares anos para o desenvolvimento da região e 70 mil milhões para projectos estruturantes. Por isso, torna-se necessário um Fundo Africano de Desenvolvimento mais forte e isso irá posicionar o BAD como principal coordenador do co-financiamento. As projecções de crescimento da região para 2018 e 2019 são de 2,0% e 2,4%, respectivamente, que ainda são insuficientes para a redução da pobreza. A actual carteira do BAD na África Austral é de usd 8,3 mil milhões em 201 projectos, segundo o directora adjunta do banco para África Austral. Na mesma senda, também a secretária-geral adjunta das Nações Unidas, Vera Songue, descreveu a corrupção como “um fenómeno antigo e mundial, cujos custos e implicações são multidimensionais e substanciais”. Os líderes africanos têm pedido uma acção colectiva sobre a implementação ampliada do desenvolvimento da África, observando que o continente precisa de conhecer um crescimento de ritmo acelerado. “Temos apenas 12 anos para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável! Este não é um relógio. É um alarme para o mundo. E o sino está a tocar cada vez mais alto”, disse, em tempos, o presidente do BAD, Akinwumi Adesina.

Bad contribui
para economias

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) pode ser a chave para o desenvolvimento de África. Esta foi a conclusão a que chegaram recentemente os ministros das Finanças e da Economia e Planeamento de Angola, Lesotho, Madagáscar, Malawi, Moçambique, Namíbia, São Tomé e Príncipe, África do Sul, Swazilândia, Zâmbia e Zimbabwe que estiveram reunidos nesta terça-feira com o Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina e o Conselho Executivo do Banco,
na sua sede em Abidjan. A consulta dos governadores sobre os desafios do desenvolvimento da África e as reformas do Banco Mundial é a quinta das cinco reuniões regionais envolvendo todos os 54 países membros regionais da instituição. Segundo Adesina, “os desafios com que se depara África são imensos e a necessidade de um crescimento mais rápido é ainda mais urgente do que nunca. Portanto, não podemos descansar nos nossos remos”.  Em 2017, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) acelerou a escala e a entrega de seus empréstimos e alcançou o maior desembolso registado na história do banco, com mais de 7,2 mil milhões de dólares norte-americanos.