Com o fim anunciado dos combustíveis fósseis, que podem desaparecer dentro de poucas dezenas de anos ou menos, a indústria automóvel está a virar-se cada vez mais para os carros eléctricos. Por isso, este é o prato forte do Salão de Frankfurt deste ano. A Volkswagen aposta numa parceria para o abastecimento.
“Começámos uma iniciativa conjunta com a Porsche, a Mercedes, a BMW e a Ford para construir uma rede de estações de abastecimento nas autoestradas europeias. A instalação vai começar no próximo ano e deve estar terminada em 2020, o mais tardar. É a primeira resposta a uma importante e urgente questão”, conta o presidente executivo da marca, Matthias Mueller.
Se na Volkswagen o Sedric, carro sem condutor, é ainda um protótipo e o pão de forma eléctrico só é lançado daqui a 5 anos, já na BMW a gama de carros
eléctricos é uma realidade.
Para Ian Robertson, membro do Conselho de Administração, o grupo vai um passo à frente dos concorrentes: “É interessante quando a concorrência diz que daqui a dois ou três anos vão fazer isto ou aquilo”. Atrás de nós estão nove modelos eléctricos. Este ano pensamos vender 100 mil exemplares, estamos a caminho disso. Podemos dizer que a BMW está já na próxima fase”, diz Ian Robertson,
administrador do grupo.
Já a Mercedes apresentou o que chama um supercarro, o MG Project One. Com elementos da Fórmula 1, pode ter mil cavalos de potência e chegar aos 350 quilómetros/hora. Os primeiros exemplares já estão encomendados e vão custar dois milhões de euros, cada. Apesar de também estar a entrar no mercado dos carros eléctricos, o presidente Dieter Zetche mantém a aposta no Diesel, que garante
ser “um combustível limpo”.

O eléctrico para África
Engenheiros alemães vão apresentar oficialmente no Salão do Automóvel de Frankfurt, um carro eléctrico projectado especialmente para ser
usado na África subsahariana.
O veículo foi projectado para suportar as condições do tráfego por estradas de terra e o calor da região, bem como para atender as múltiplas necessidades da população local.
Para isso, um carro para a África - foi projectado para o transporte de passageiros e de carga, bastando pequenas variações na estrutura da carroçaria.
O projecto, apoiado pela Fundação de Pesquisa da Baviera desde 2015, foi coordenado por engenheiros da Universidade Técnica de Munique, que se associaram a parceiros de outras instituições e da iniciativa privada.
O primeiro protótipo ficou pronto em Maio de 2016 e foi testado na Alemanha. Em Julho de 2017, ele foi enviado para o Ghana, para testar a tecnologia e o conceito nas condições locais.
Um ponto importante foi testar o impacto das temperaturas mais altas e da humidade do ar nos sistemas eléctricos. “Nós reunimos muitos dados que agora temos que avaliar. Mas já podemos dizer que o aCar cumpriu todos os requisitos necessários e até ultrapassou as nossas expectativas,” disse
o professor Sascha Koberstaedt.
Dada a sua versatilidade, os testes mostraram que o aCar é interessante não apenas para a África e outras regiões tropicais, mas também para o mercado automotivo dos países desenvolvidos, acrescentou o engenheiro.
Como mencionado, o aCar possui uma estrutura modular leve com tracção nas quatro rodas, contando ainda com suspensão robusta e com nível de altura em relação ao solo elevada, a fim de transpor cursos de água. O conceito permite modificar toda a estrutura e adapta-la para as mais variadas finalidades, incluindo atendimento médico ou tratamento de água, por exemplo.
Com capacidade para uma tonelada de carga, o aCar utiliza baterias de lítio de 20 kWh com autonomia de 80 km, pequena se considerarmos a proposta do veículo 4×4 eléctrico, que pode ser recarregado em tomada doméstica de 220V por sete horas. A velocidade máxima é de 60 km/h. A TUM desenvolveu painéis solares para fixação no tecto e assim aproveitar a grande incidência de sol na região subsahariana.