Um estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambientes conclui que as marcas manipulam os dados e mentêm sobre o consumo dos automóveis. A pior é a Mercedes, logo seguida da Audi. E os desvios superam nalguns modelos os 50 por cento entre o que é prometido pelo fabricante na brochura de venda e o real consumo em estrada.
O estudo ‘Mind the Gap’ acusa as marcas de manipular os dados do consumo, aumentando em 450 euros por ano os gastos dos condutores europeus face às referências dos construtores.
Por ano, estima-se que cada condutor gaste mais 549 euros do que o esperado, já que as marcas anunciam consumos de combustível que resultam de testes feitos em laboratório e que são bem diferentes dos que se vêm a registar na realidade.
“Os novos veículos não são tão eficientes como os fabricantes afirmam: em estrada, os progressos sobre redução de emissões estão efectivamente parados há quatro anos. Os fabricantes são os responsáveis pelo problema ao usarem lacunas do sistema e, supostamente, em alguns casos, usam ilegalmente material de teste defeituoso”, explica a organização.
À revista portuguesa Visão, a Mercedes defende-se e garante que não há qualquer manipulação nos testes que tem efectuado. “Todos os nossos veículos são certificados pelos procedimentos que estão estipulados”, garante André SIlveira, do departamento de comunicação da Mercedes Benz em Portugal, lembrando que a marca alemã lançou já um novo motor no modelo classe E que cumpre todas as normas de certificação do planeamento europeu.
O estudo da Feta apresentava o classe E (mas o motor antigo, segundo a marca), e também o A, como os “piores” em termos de desvio - 56 por cento mais gastos do que era vendido na brochura.
Em todas as marcas analisadas, os desvios superam os 35 por cento, com a diferença média a “crescer exponencialmente” nos últimos anos. Actualmente, é de 42 por cento enquanto em 2012 era de 28. A Feta diz que os testes de eficiência de combustível conduzidos em laboratório têm lacunas e são propensos à manipulação e erro. A Mercedes defende-se e diz que apoia a transição para o novo sistema de avaliação Worldwide harmonized Light vehicles Test Procedures (WLTP), que permitirá, segundo se promete, maior aproximação dos testes de laboratório à realidade, não só em termos de consumos, mas também de emissões CO2.
André SIlveira também lembra que não tiveram acesso ao tipo de equipamento com que a Feta testou as viaturas. “Uma medida de pneus com uma jante tem um consumo, com outro tem outro consumo. Não temos acesso às características das viaturas que foram testadas por esta organização”.
A Audi fica em segundo lugar no ranking dos desvios, com 49 por cento entre o teste e a realidade. Segue-se a Smart e a Volvo, com números semelhantes, e depois a Peugeot (45), a Toyota (43) e a Volkswagen (40). A melhor é a Fiat, com 35.
Greg Archer, o director da Feta para os veículos ecológicos, diz que é tempo investigar: “Carros que consomem mais 50 por cento de combustível do que é publicitado estão a enganar os consumidores e a manipular as regras ambientais. A menos que queiramos que sejam os americanos a fazer novamente o trabalho da Europa, a comissão e as autoridades nacionais devem investigar a Mercedes e a Audi e determinar se estão a usar mecanismos para manipular os testes”.