Pelo menos 18 marcas de roupas e calçados internacionais solicitaram a suspensão de compras de couro do Brasil por causa das queimadas na Amazónia, segundo informações veiculadas quarta-feira pela imprensa local.
O anúncio sobre o cancelamento dos pedidos foi feita pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), associação que representa produtoras de couro, numa carta enviada na última terça-feira ao ministro do Meio Ambiente do Brasil.
Na carta, o presidente executivo do CICB, Fernando Bello, disse, que recebeu de alguns dos principais importadores mundiais, com muita preocupação, o comunicado de suspensão de compras de couros a partir do Brasil.
“Este cancelamento foi justificado em função de notícias, relacionandas às queimadas na região amazónica ao agro-negócio do país. Para uma nação que exporta mais de 80 por cento da sua produção de couro, chegando a gerar 2 mil milhões de dólares em vendas ao mercado externo em um único ano, trata-se de uma informação devastadora”, escreveu o presidente do CICB. Na carta, foram citadas as marcas Timberland, Dickies, Kipling, Vans, Kodiak, Terra, Walls, Workrite, Eagle Creek, Eastpack, JanSport, The North Face, Napapijri, Bulwark, Altra, Icebreaker, Smartwoll e Horace Small.
Os incêndios registados na Amazónia mobilizaram a opinião pública mundial sobre a aceleração da destruição do meio ambiente no Brasil. O número de incêndios no Brasil aumentou 83 por cento este ano, em comparação com período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de Agosto, sendo a Amazónia a região mais afectada.
A Amazónia, a maior floresta tropical do mundo e com a maior biodiversidade registada numa área do planeta, tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).