A China castigou mais de um milhão e meio de funcionários públicos e investigou 440 altos quadros do regime, na campanha anticorrupção lançada há cinco anos pelo presidente chinês, Xi Jinping.
Yang Xiaodu, vice-secretário da Comissão Central de Inspecção e Disciplina do Partido Comunista Chinês (PCC), anunciou em conferência de imprensa os números da campanha: 2. 674.000 de membros do partido investigados, entre os quais 1.537.000 foram punidos. “Isto demonstra o nosso compromisso com o princípio de que a disciplina deve ser aplicada de forma rigorosa e de que todos os infractores devem ser punidos”, afirmou Yang, um dia depois da abertura do XIX Congresso do PCC.
O vice-secretário explicou que os esforços contra a corrupção “aumentaram a consciência dos membros do partido sobre a importância de seguir as regulações e a disciplina”.
Entretanto, o PCC aprovou esta terça-feira a introdução da ideologia política do actual Presidente na Constituição do país, na prática firmando Xi Jinping como o mais poderoso líder do gigante asiático desde Mao Tsé Tung. Com isso, os estudantes chineses vão passar a estudar a teoria política de Xi Jinping,
O voto por unanimidade dos mais de dois mil delegadas do PCC marcou a conclusão do congresso do partido único, o mais importante evento político da China, que esteve a decorrer em Pequim à porta fechada desde o final da semana passada.
A votação era esperada desde que Xi inaugurou o comício com um discurso de três horas no qual introduziu a sua filosofia, batizada “socialismo com características chinesas numa nova era”.
Ao longo de vários dias, a ideologia política do Presidente, o “pensamento de Xi Jinping”, passou a ser comentada nos corredores do encontro e nos media estatais, num sinal claro de que o líder cimentou a crescente influência e poder que tinha vindo a conquistar desde que foi escolhido para suceder Hu Jintao em 2012.
Anteriores líderes do partido e do país já tinham visto as suas ideologias serem incorporadas no documento fundamental, mas nenhum, para além do fundador da China moderna Mao Tsé Tung, viu a sua filosofia descrita como “pensamento”, que está no topo da hierarquia ideológica do PCC.
Para além de Mao e agora de Xi, apenas Deng Xiaoping, que governou a China entre 1978 e 1992, viu o seu nome ser anexado aos textos políticos inscritos no documento fundamental.