O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse, recentemente, em Maputo, perante homens de negócios e membros do Governo que a corrupção é um alvo a abater, pois tem vindo a prejudicar o ambiente de negócios no país.
Para o Chefe de Estado daquele país, há que se tomar decisões mais arrojadas para frear e quiçá acabar com os efeitos desse fenómeno.
“Entre os vários obstáculos que afectam o ambiente de negócios julgamos haver a necessidade de incluirmos na lista das acções prioritárias a desenvolver a luta tenás contra práticas que configuram a corrupção. Onde reina a corrupção, o negócio torna-se oneroso, surge o desrespeito ao produtor e trava o desenvolvimento”, destacou.
Filipe Nyusi sublinhou “que por muitas reformas institucionais, por muitas revisões de leis ou códigos que possamos fazer, de nada valerá se a prática da corrupção prevalecer e estiver enraizada nos esquemas obscuros de fazer negócios. Pior ainda será se ninguém assumir que esta prática existe”.
Destacou sobre os efeitos que este mal está a causar para o cidadão em particular e o país em geral.
“Com este mal quem perde é o Estado e em particular o povo que vai gastar mais, recebendo serviços, bens ou obras de baixa qualidade com consequências na sua durabilidade e nos seus custos.
Por outro lado, revelou, reduz-se a credibilidade, sendo que os agentes privados “honestos que não trilham pelos caminhos invisíveis da corrupção, acabam também ficando prejudicados”.
Filipe Nyusi avançou ainda que o seu Governo está empenhado a mudar esse cenário.
“Convidados o sector privado a contribuir para a divulgação e cumprimento das regras para que possamos, na base das ferramentas legais que possuímos responsabilizar e punir os infractores. Esta é a razão pela qual, nos últimos tempos, tem sido recorrente notícias sobre audições, detenções e julgamentos relacionados com a corrupção”, disse.

Economia pode ser robusta
Por seu turno, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) considerou que a economia de Moçambique pode ser “uma das maiores em África” quando a produção de gás natural atingir o seu pico, no final da próxima década.
“Moçambique pode tornar-se uma das maiores economias em África quando a produção de gás natural no norte atingir o seu pico em 2028, ano em que a economia deverá crescer 24 por cento ao ano, e metade do PIB de Moçambique virá do gás natural”, lê-se no relatório sobre as Perspectivas Económicas do Sul de África (‘Southern Africa Economic Outlook’, no original em inglês).
No documento, os analistas salientam que “acelerar os projectos de produção de gás natural e melhorar a gestão orçamental podem maximizar os benefícios no desenvolvimento humano”.

Dívida é insustentável
Por outro lado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avisa que a trajectória da dívida pública em Moçambique é “insustentável” e que quatro dos cinco indicadores sobre a dívida ultrapassam o limite, atingindo os 126 por cento do Produto Interno Bruto em 2022.
“A dívida pública total de Moçambique está numa trajectória insustentável”, lê-se num conjunto de documentos elaborados ao abrigo da análise anual do FMI a este país lusófono.
Nesta parte do relatório que analisa os indicadores sobre a dívida pública moçambicana, que disparou no seguimento da divulgação de 1,4 mil milhões de dólares em dívidas ocultas contraídas por empresas públicas com aval do Estado e à depreciação da taxa de câmbio, que perdeu 48 por cento.
“O valor actual da dívida pública externa e com garantias do Estado face ao PIB excede largamente o limite prudencial de 40 por cento nos próximos oito anos, enquanto o custo de servir a dívida externa, comparada com as receitas do Governo continua, em média, acima de 30 a médio prazo”, frisa a fonte.
Para além disto, notam os peritos, que “há vulnerabilidades significativas relacionadas com a dívida interna, que chegou a 25 por cento do PIB em 2017, e está rapidamente a aumentar”, apesar do Executivo garantir que está a pagar atempadamente os compromissos financeiros internos.