O Presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, e o seu homólogo do Ghana, Nanan Addo Dankwa Akufo-Addo, assinaram um acordo para implementar uma estratégia comum para gerir os desafios da economia do cacau, apurou a PANA.
Sob a designação de “Declaração de Abidjan”, o acordo assinado na passada segunda-feira, traduz “a vontade reafirmada dos dois chefes de Estado” de definir uma estratégia comum para encontrar uma solução duradoura à melhoria dos preços do cacau nos seus respectivos países.
O documento prevê o anúncio, todos os anos, concomitantemente e antes do início da campanha, do preço aos produtores, intensificação da colaboração no domínio da pesquisa científica sobre a protecção de plantas de cacau e a melhoria de variedades, nomeadamente a adopção e a implementação de um programa regional de luta contra a doença do “Tiro Inchado”.
O Presidente Ouattara lamentou, segunda-feira, na abertura da sexta edição da África CEO Forum, a porção das receitas ganhas pelos produtores num montante de seis mil milhões de dólares americanos contra 100 mil milhões gerados pela economia do cacau.
Em 2017, a queda nos preços mundiais do cacau teve um grande impacto nas finanças públicas da Côte d’Ivoire, com uma baixa de 53,8 mil milhões de francos CFA no orçamento do Estado, passando de 6,501 triliões de francos CFA para 6,447 triliões.

Potencialidades
A Côte d’Ivoire e o Ghana representam 60 por cento da produção mundial de cacau.
A Costa do Marfim ocupa a posição de maior produtor de cacau, responsável por 40 de toda a produção mundial e tendo o cultivo do fruto como base de toda a sua economia.
As safras do país costumam ser de 1,6 milhão de toneladas de grãos de cacau, 15 por cento do sector compõe o Produto Interno Bruto (PIB) do país, de 30 a 50 das receitas das exportações são do cacau e cerca de dois terços da população tem no cultivo do cacau a fonte dos seus rendimentos. No país são aproximadamente 800 mil produtores de cacau, que utilizam pequenas áreas de terra para o plantio.
Segundo maior produtor de cacau do mundo, ficando atrás apenas da Costa do Marfim, o Gana quer aumentar os níveis de produção para alcançar 1,5 milhão de toneladas de cacau em quatro anos. Se isso for alcançado, o Gana poderia diminuir a “lacuna” com o produtor número um do mundo.
No ano de produção 2015/2016, a Costa do Marfim produziu 1,7 milhão e o Gana produziu 840 mil toneladas de cacau.
Os dois países também são os principais exportadores de cacau para a Europa. Em 2016, a Costa do Marfim exportou 720 mil toneladas e o Gana aproximadamente 340 mil.