A Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP) acredita que não está a ser dada prioridade à cooperação económica e empresarial – que a organização definiu como o ‘quarto pilar’, a par dos princípios fundadores da cooperação em todas as áreas, concertação político-diplomática e promoção da língua portuguesa. A apresentação do relatório da CE-CPLP foi um dos pontos da agenda da XII conferência de chefes de Estado e de Governo da organização lusófona, que decorreu em Santa Maria, ilha do Sal. O documento, recomendou aos líderes dos nove países lusófonos, entre outras medidas, a criação do Conselho Económico da CPLP, uma “parceria público-privada com agenda anual própria e um diálogo permanente”. Actualmente, a CE-CPLP apresenta relatórios às cimeiras da organização lusófona, de dois em dois anos, o que os empresários consideram insuficiente. “É necessária uma agenda anual, com acções, em estreita parceria com o secretariado-executivo e com as estruturas superiores, o Conselho de Ministros [dos Negócios Estrangeiros e a própria cimeira”, disse à imprensa o secretário-geral da Confederação, José Lobato. Por outro lado, o sector privado da lusofonia defende a necessidade de realização de “uma cimeira económica”. “As cimeiras normalmente são mais políticas, incidem principalmente sobre a parte cultural, linguística, mas a parte económica, que é o quarto pilar da CPLP, não é uma prioridade”, lamentou José Lobato. Outra medida reivindicada pelos empresários é a da promoção da mobilidade no espaço lusófono, seja de pessoas, bens e produtos, serviços ou capitais. A cimeira aprovou uma declaração política sobre a facilitação da circulação dos cidadãos lusófonos e Cabo Verde, que assumirá a presidência rotativa da CPLP, já garantiu que este tema é uma prioridade.
O responsável da confederação defende que não está em causa “dar vistos a todos”, mas dar prioridade a estudantes, desportistas, empresários, artistas, doentes – uma medida que já foi alvo de um acordo entre os países lusófonos, mas que ainda não está em plena aplicação. A Confederação levou à cimeira outras propostas, nomeadamente para evitar a dupla tributação ou a constituição de um centro de arbitragem.