O analista da Moody’s que segue a economia de Macau disse ontem, quinta-feira que o aumento do rendimento na China e a forte implantação de Macau no mercado do turismo vão sustentar a concorrência de outros países asiáticos.
“O principal ponto para nós é o aumento do rendimento dos chineses e a proximidade com a China continental, que vão sustentar a procura, e Macau está bem estabelecido, mesmo apesar da crescente concorrência de outras partes da Ásia”, disse Matthew Circosta.
Em entrevista telefónica à Lusa, um dia depois da agência de notação financeira ter apresentado o relatório que mantém o “rating” de Macau, e com Perspetiva de Evolução Estável, Circosta explicou que a região “tem uma significativa capacidade de servir a crescente procura da China e tem, na prática, o monopólio do jogo, por isso a proximidade com a China e a subida dos rendimentos no país vão sustentar o crescimento económico, mesmo apesar da concorrência”.
Na quarta-feira, a Moody’s afirmou o “rating” de Macau em Aa3, referindo-se à análise que faz “à credibilidade de crédito do Governo”, mas como “Macau não tem dívida para avaliar já que não é um país, só existe um “rating” de emissor (Aa3), que é separado da avaliação sobre a emissão de títulos em moeda estrangeira e dos tectos dos depósitos bancários, ambos em Aa2”, explicou.
Assim, no sentido tradicional dos “ratings” a capacidade de pagar a dívida soberana emitida por um país, Macau tem o nível de Aa2, mas como não emite dívida pública, já que não é um país, a Moody’s aponta para um ‘rating’ geral de Aa3, que mede a credibilidade financeira geral do Governo de Macau.
Questionado sobre a razão de Macau não ter um “rating” ainda mais elevado, dada a ausência de dívida, as significativas reservas orçamentais, suficientes para sustentar sete anos de despesa pública, e o forte crescimento económico de 4,5% neste e no próximo ano, Matthew Circosta respondeu que a nota resulta da grelha de avaliação que a Moody’s usa para todos os países: “Olhando para os riscos todos, acabámos por decidir manter Macau em Aa3”.
Os principal risco para a economia de Macau, indicou, está relacionado com a dependência das decisões de política económica tomadas em Pequim, que podem minar a capacidade de resistir a choques externos.
“O grande desafio é que Macau é e vai continuar a ser susceptível às decisões da política chinesa, o que coloca riscos não só ao sector do jogo e do turismo, mas pode também afectar a diversificação estratégica e impedir a capacidade de absorção de choques”, disse o analista, vincando que a Moody’s vê as crescentes almofadas financeiras como um aspecto positivo para o território.
De acordo com o analista apesar de a Moody´s não dar, por princípio, conselhos de política económica aos governos cuja credibilidade de crédito analisa, o tema da diversificação é essencial.