O presidente do Congresso Geral Nacional (CGN, Parlamento), Abousahmein, decidiu esta semana formar uma força militar encarregue de levantar o bloqueio dos principais terminais petrolíferos no Leste da Líbia imposto desde Julho último por grupos armados partidários do sistema federal.

O decreto indica que a formação duma força militar armada composta por unidades do exército líbio, revolucionários colocados sob tutela das províncias militares de Tobrouk, Djebal al-Akhhar e Benghazi, no Nordeste, bem como as de Kouffra e Sebha (Sul), Tripoli e Djebel Nefoussa (Oeste).

Delas fazem igualmente parte unidades dos guardas para as instalações estratégicas a fim de libertar os portos em causa e colocá-los sob o controlo do Estado, declarou Abousahmein, citado pelo porta-voz do CGN, Omar Hmeidan.

O decreto assinado pelo presidente do CGN em virtude da sua missão de chefe supremo das forças armadas, confia ao chefe de Estado-Maior do exército líbio a missão de agrupar e coordenar estas forças bem como elaborar planos de acções que devem começar em Sirtes (centro), Jouffra e Ajdabia, indicou Hmeidan numa declaração à agência líbia de notícias (LANA).

As operações militares efectivas para o cumprimento desta missão vão iniciar uma semana após a data de publicação deste decreto que pede ao primeiro-ministro e ao ministro da Defesa para fornecerem todas as necessidades desta força a fim de lhes permitir cumprirem a sua missão.

Guardas petrolíferos estão a bloquear, desde Julho último, os terminais petrolíferos do Leste para protestar nomeadamente contra a venda do crude sem unidades de medida.

O seu líder, Brahm Jodhrane, proclamou a criação duma representação política da Cirenaíca, antes de constituir depois um conselho executivo, uma espécie de Governo local, numa nova escalada do braço-de-ferro com as autoridades do país.

Sábado, o conselho executivo da Cirenaíca, não reconhecido pelo Estado líbio, tentou vender ilegalmente o petróleo bruto ao fretar um petroleiro de pavilhão norte-coreano que encostou no porto de al-Sidera para carregar petróleo.

Mas autoridades líbias instalaram um dispositivo para impedir a tentativa de exportação ilegal de petróleo em curso no porto de al-Sidera.

Esta crise diminuiu a produção de petróleo líbio em 250 mil barris por dia, contra um milhão e 500 mil antes da eclosão deste movimento.

As perdas causadas pela crise da indústria petrolífera líbia estimam-se em 10 biliões de dólares americanos pelo Ministério do Petróleo.

O Governo líbio repetiu várias vezes que o encerramento das zonas petrolíferas afectava o orçamento do Estado e comprometia o pagamento de salários.

O primeiro-ministro líbio, Ali Zeidan, advertiu contra uma crise económica se esta situação persistir, afirmando que os salários dos funcionários poderão ser afectados.