Os 14 países produtores de petróleo a nível de África não conseguiram transformar os rendimentos provenientes do crude em desenvolvimento, pelo contrário, registam défices orçamentais bastante altos. O défice estimado para Angola, o segundo maior produtor de petróleo no continente é de 2,9 por cento, sendo o quinto consecutivo, depois dos 5,3 do Produto Interno Bruto no OGE 2017, de 7 por cento em 2016, 3,3 em 2015 e 6,6 em 2014, quando começaram a registar-se quedas nas receitas petrolíferas.A Nigéria, o maior produtor de petróleo de África, enfrenta alguns desafios, incluindo interrupções no fornecimento de energia e insegurança em algumas partes do país. Os esforços de mobilização de receitas são insuficientes e as taxas de imposto ao valor acrescentado, de 5,0 por cento, são das mais baixas mundo e, de um modo geral, a gestão das receitas deveria ser efectuada de forma mais eficiente, conforme avaliou o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), no seu recente relatório sobre “perspectivas económicas de África para 2018”. A Nigéria tem um défice orçamental de 4,8 por cento e a recuperação do preço e da produção de petróleo ajudará a impulsionar o crescimento e espaço fiscal para importantes reformas estruturais por parte do Governo, a fim de diversificar a economia local.Já a África do Sul, outra economia pujante do continente, que já tinha um saldo orçamental consolidado deteriorou-se para um valor estimado de 4,3 por cento, em 2017, após 3,3, em 2016, resultante de quebras nas receitas. A dívida pública aumentou para um valor estimado de 54,2 por cento do PIB, em 2017, após 50,7 em 2016, mas permanece sustentável. Entretanto, o défice ocorre quando os gastos ou despesas superam os ganhos ou receitas. Nesse caso, falta dinheiro para a receita igualar à despesa, e o orçamento é chamado “deficitário”. Segundo Keynes, o défice orçamentário é um mecanismo anticíclico de equilíbrio económico em política económica. Em períodos de depressão económica, é necessário criar um défice sistemático no orçamento para estimular a economia, e aumentar a taxa tributária em períodos de prosperidade para se acumular poupança. O défice orçamentário pode ser provocado pelos gastos excessivos do Estado, quer nas áreas sociais, quer na administração pública.

Contexto africano
Comentando sobre as razões dos défices orçamentais em África, o especialista em Relações Internacionais, Direito, Gestão de Petróleo e Gás, Frederico Baptista considerou que eles surgem por falta de melhor política na racionalização e uso do erário público.
Exemplificou que os Emiratos Árabes Unidos têm estado a utilizar o dinheiro do petróleo para impulsionar os outros segmentos económicos, incluindo o turismo, daí que os países do continte deviam intensificar a Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD).
Para Frederico Baptista, a gestão africana deve ter uma linha orientadora baseada em primeiro lugar por honestidade (onde os titulares de cargos públicos deviam respeitar a coisa pública, segundo, a prestação de contas (em África particularmente Angola usa-se o erário público e não se presta contas a ninguém) em terceiro lugar, o compliance, que tem a ver com o cumprimento das normas da boa gestão.
Quanto aos produtores de petróleo africano, afirmou que a Noruega e Alasca criaram um fundo que ajuda na sustentabilidade das economias através do remanescente do petróleo.
Adiantou que, à semelhança do Fundo Soberano de Angola, o da Noruega, começou com aproximadamente 50 milhões de dólares, hoje volvidos 10 anos, já atingiu um trilião de dólares por via de investimentos.