O aumento das desigualdades e falhas na protecção dos direitos das mulheres, em especial as mais pobres, são grandes ameaças ao cumprimento dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável, de acordo com o novo relatório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), divulgado mundialmente esta semana.
Em mais de 140 países analisados, as mulheres enfrentam desigualdade não apenas financeira, mas especialmente na saúde e na garantia de direitos sexuais e reprodutivos, o que acarreta consequências em praticamente todos os sentidos.
De acordo com as conclusões do relatório, intitulado “Mundos distantes: saúde e direitos reprodutivos numa era de desigualdade”, a situação enfraquece o progresso dos países e ameaça inclusive a paz e o desenvolvimento económico global.
Entre os dados apontados, é verificado que, em pelo menos 34 países, a disparidade aumentou entre 2008 e 2013, com a renda dos 60 por cento mais ricos da população crescendo mais rapidamente do que a dos 40 por cento nas camadas inferiores. Além disso, dos 142 países cobertos pelo índice em 2016, em 68 a disparidade de género se mostrou maior que a do ano anterior.
As mulheres têm ainda mais probabilidade de ficarem desempregadas do que os homens. No mundo todo, 6,2 por cento das mulheres estão desempregadas, em comparação aos 5,5 por cento dos homens. As maiores diferenças no desemprego de homens e mulheres estão no norte da África e nos Estados Árabes. Nas duas regiões a taxa de desemprego de mulheres jovens (44 por cento) é quase o dobro da taxa para homens jovens. Outro factor apontado é que, globalmente, mulheres ganham 77 por cento do que os homens ganham, e se as tendências actuais continuarem, levará mais de 70 anos até que a disparidade de salário por género seja eliminada.
Também na educação, que pode levar a melhores condições de trabalho e desenvolvimento económico - pessoas analfabetas ganham até 42 por cento a menos que suas contrapartes alfabetizadas -, mulheres sofrem desvantagem: da população mundial estimada de 758 milhões de adultos analfabetos, cerca de 479 milhões são mulheres e 279 são homens.
Em conclusões, o relatório propõe 10 acções para um mundo mais igualitário, incluindo cumprir compromissos e obrigações com direitos humanos de tratados e convenções internacionais, derrubar leis e normas discriminatórias e que possam impedir que mulheres tenham acesso a informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva, estender assistência pré-natal e materna essencial às mulheres mais pobres e atender a demanda de planeamento reprodutivo.