Analistas estão preocupados com o futuro das relações entre os Estados Unidos e África, na sequência da eleição do republicano Donald Trump, que durante a campanha prometeu anular os acordos feitos por Obama. Ajuda, acordos comerciais e direitos humanos poderão estar em risco.
Maior preocupação e incerteza está na ajuda internacional e acordos comerciais, incluindo a Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA), que permite aos países africanos exportarem para os Estados Unidos com isenções fiscais.
A professora Anabela Muekalia, da Universidade de Potomac, nos Estados Unidos, diz que Trump “não tem uma política traçada para África neste momento”.
Esta académica angolana afirma à Voz da América que numa fase inicial, Trump poderá estar mais focalizado nos problemas internos americanos.
Muekalia diz que, eventualmente, Trump poderá mais tarde considerar a cooperação com os países que abraçam a democracia, tal como fez o anterior Presidente.
Adam Oloo, académico queniano, também pensa que Trump não irá dedicar atenção ao desenvolvimento internacional, daí que os africanos deverão cada vez mais procurar soluções locais para os seus problemas.
Mas para Charles Eboune, especialista camaronês de relações internacionais, no mandato de Trump, alguns líderes africanos poderão retornar à políticas sociais conservadoras, que incluem o combate ao homossexualismo, proibição do aborto e outras violações de direitos humanos.
Trump teve uma vitória considerada inesperada nas eleições presidenciais de 8 de Novembro. Derrotou a republicana Hillary Clinton.
O professor Frank de Sousa, da Universidade de Massachusetts, considera essa vitória tão surpreendente quanto a decisão popular dos ingleses saírem da União Europeia, no processo designado Brexit.
Na opinião dele, isso é reflexo de que as elites políticas estão divorciadas da realidade e do povo.
“Pessoas bem pensantes e elites destas sociedades esqueceram-se que em última instância quem manda numa democracia é a maioria do povo”, diz De Sousa.
Em entrevista ao programa Agenda Africana, De Sousa opina que Donald Trump poderá, nas novas funções, ser mais moderado.
Entretanto, o Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, afirmou que espera poder trabalhar com o próximo Presidente dos EUA, Donald Trump,para “promover a paz, segurança e prosperidade” no mundo e no continente africano.
Num breve comunicado em que felicitou o candidato republicano pela sua vitória eleitoral, Zuma transmitiu os seus “melhores desejos” a Trump e expressou a sua intenção de continuar a desenvolver a “intensa relação” que a África do Sul tem com os Estados Unidos.
Segundo dados do Governo, os Estados Unidos são destino de 12 a 15 por cento das exportações da África do Sul.
Analistas sul-africanos expressaram preocupação com a possibilidade de Trump revogar a Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA), que facilita o acesso das exportações dos países africanos ao mercado norte-americano.