Um plano de acção conjunta para aprofundar a cooperação industrial entre os países que formam o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) foi assinado, nesta quarta-feira (2), durante reunião dos ministros da Indústria do bloco realizada em Hanghzou, na China.
O plano foi feito para facilitar a implementação do consenso atingido na 1ª Reunião de Ministros de Indústria dos Brics, realizada em Outubro de 2015, na Rússia. A reunião resultou na expansão da cooperação industrial em áreas de destaque e no aprofundamento de benefícios mútuos.
A iniciativa, da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) e do Brics, quer promover mais desenvolvimento por meio do intercâmbio industrial e abrange um plano de acção de nove pontos. O objectivo é fortalecer a cooperação entre empresas de pequeno e médio portes que funcionam nesses países.
O director da Unido, Li Yong, afirmou que essa agência da ONU é um parceiro eficiente. Para ele, a Unido quer entender as realidades da globalização e como melhor gerenciar o novo quadro internacional com governos e outros parceiros na área de cooperação.
Li Yong afirmou que uma melhor compreensão da nova revolução industrial ajudará a aliviar os seus possíveis impactos negativos, especialmente em países em desenvolvimento.
“A economia mundial ainda sofre efeitos das últimas crises. As indústrias vivenciam tanto oportunidades como desafios trazidos pelas novas tecnologias. Os membros do Brics devem utilizar nossas plataformas de cooperação existentes para aprofundar a cooperação em áreas-chave”, disse Miao Wei, ministro da Indústria e Informação Tecnológica da China.
Essa é a segunda vez que os ministros da Indústria do bloco dos cinco países emergentes se reúnem.
Os países do Brics contribuem para um terço da produção industrial mundial e estão em níveis semelhantes de industrialização. O potencial para cooperação é substancial. Nessa segunda reunião, os ministros indicaram a necessidade de maior comprometimento na promoção do comércio de bens e troca de investimentos diante de um sentimento de protecionismo crescente no mundo.

As apostas na tecnologia
Um plano de acção para cooperação em inovação, de 2017 a 2020, foi aprovado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A decisão foi dada no quinto Encontro Ministerial de Ciência, Tecnologia e Inovação do Fórum de Diálogo dos Brics, em 18 de Julho, em Hangzhou, na China.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Alvaro Prata, a inovação dominou a primeira edição chinesa do encontro anual entre as pastas científicas das cinco economias emergentes.
“Cada ministro apresentou e discutiu as políticas nacionais e as estratégias adotadas para promover o crescimento a partir da inovação a fim de trocar experiências e traçar possibilidades de cooperação”, explica.
Entretanto, a China será a sede da cúpula dos BRICS de 3 a 5 de Setembro, no ano que marca a entrada da segunda década do bloco.
O termo foi cunhado pelo economista Jim O”Neill em 2001 para destacar as nações emergentes que, segundo ele, dariam passos adiante em suas trajectórias de desenvolvimento. Nunca foi um grupo oficial, mas facto é que as articulações entre governos ganharam fôlego ao longo dos anos – até mais do que os rumos de desenvolvimento da maioria dos países.
A China, cujo vigor é o mais robusto, arrefeceu as taxas de crescimento, deixando os patamares de dois dígitos registrados na primeira década do século para incrementar o Produto Interno Bruto (PIB) anualmente em torno de sete por cento hoje.
O encontro de Setembro vem na esteira de uma crise que se agrava no Brasil, de uma China que busca hegemonia no bloco, mas não só nele, pois o país é activo militante da globalização e defensor de políticas pelas quais usualmente era criticado há pouco, como a defesa do ambiente, num contraponto interessante ante o arroubo anti-ambiental do presidente
norte-americano, Donald Trump.